Obesidade e saúde mental: o que os estudos falam sobre essa relação

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09.04.2025

A obesidade é uma preocupação global crescente, classificada como epidemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com os dados mais recentes da OMS, mais de 1 bilhão de pessoas no mundo são obesas, com as taxas de obesidade triplicando desde 1975. Essa questão é particularmente crítica em países de alta renda e em desenvolvimento.

Obesidade e saúde mental estão interligadas. O excesso de peso está associado a maiores riscos de depressão, ansiedade e baixa autoestima. Já os transtornos de saúde mental frequentemente interferem na relação com a comida e contribuem para a alimentação emocional, efeitos colaterais de medicamentos e redução da atividade física.

Gostaria de compreender melhor a relação entre obesidade e saúde mental? Acompanhe a leitura!

O que os estudos dizem sobre obesidade e saúde mental?

A ligação entre obesidade e saúde mental já foi documentada na literatura científica. O excesso de tecido adiposo pode desencadear inflamação crônica e desequilíbrios hormonais, como aumento de cortisol e níveis alterados de leptina/grelina, que estão associados à depressão. Veja a seguir mais detalhes sobre essa relação!

Fatores psicossociais

Uma análise publicada no JAMA Psychiatry em 2019 descobriu que a obesidade aumenta o risco de depressão em 55%, especialmente em mulheres. Muitas pessoas recorrem à comida como uma forma de lidar com o estresse, a ansiedade ou a depressão. Isso cria um ciclo de emoções negativas e ganho de peso prejudicial à saúde.

Estigma relacionado ao sobrepeso, discriminação e baixa autoestima aumentam significativamente o sofrimento mental. Os estudos mostram que pessoas com obesidade frequentemente enfrentam bullying, discriminação no local de trabalho e exclusão social.

Transtornos de saúde mental

As condições de saúde mental favorecem o ganho de peso por meio de vários mecanismos. Por exemplo, os medicamentos psicotrópicos, os antidepressivos, antipsicóticos e estabilizadores de humor como fluoxetina, sertralina, olanzapina e lítio são conhecidos por causar ganho de peso como efeito colateral. A depressão e ansiedade causam falta de motivação, fadiga e isolamento social.

Alimentação emocional

Uma pesquisa do The American Journal of Clinical Nutrition realizada em 2021, publicou que indivíduos com depressão têm 32% mais probabilidade de desenvolver obesidade ao longo do tempo devido ao estilo de vida e fatores neurobiológicos. Os altos níveis de estresse desencadeiam a produção de cortisol, aumenta o desejo por alimentos ricos em calorias e açúcar.

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Como a saúde mental pode influenciar a obesidade?

A saúde mental afeta os comportamentos alimentares, as atividades físicas, o metabolismo e as escolhas gerais que formam o estilo de vida. A conexão entre transtornos e obesidade é bidirecional. Abaixo, vamos apresentar as principais maneiras pelas quais as condições mentais causam ganho de peso e vice-versa!

Transtorno de compulsão alimentar (TCA)

Quem tem problemas de saúde mental recorre à comida como um mecanismo de enfrentamento para estresse, ansiedade ou depressão. Isso geralmente leva à alimentação excessiva, consumo de alimentos processados ​​e de alto teor calórico. O TCA é uma condição em que os indivíduos apresentam episódios recorrentes de ingestão excessiva de alimentos, ainda que não estejam com fome.

Depressão

A depressão causa baixos níveis de dopamina e serotonina, leva à falta de motivação para fazer exercícios físicos, fadiga e falta de energia. A ansiedade pode fazer com que as pessoas evitem atividades sociais, deixem de ir à academia ou de realizar atividades ao ar livre. Além disso, as condições mentais criam insatisfação corporal e autopercepção negativa.

Desequilíbrio hormonal

O estresse é um dos principais causadores da obesidade devido ao seu impacto na regulação hormonal e no metabolismo. Ele origina o aumento dos níveis de cortisol e, consequentemente, promove o armazenamento de gordura na área abdominal. A ansiedade, por sua vez, atrapalha o sono e, por conseguinte, são afetados os hormônios da saciedade e da fome.

Distúrbios do sono

Transtornos de saúde mental frequentemente são a causa de insônia e o sono de má qualidade está associado à obesidade. Os pacientes que sofrem por não dormir à noite sentem mais fome e costumam ter alimentação noturna mais calórica. Essas pessoas optam por alimentos ricos em carboidratos e gorduras, começam a sofrer de apneia e sentem piora na função metabólica.

Problemas de autoestima

A má saúde mental contribui para a insatisfação corporal e a imagem negativa do próprio corpo. Os problemas psicológicos conseguem desencadear hábitos alimentares pouco saudáveis ​​e sofrimento relacionado ao excesso de peso. Algumas pessoas tentam dietas extremas, emagrecem rapidamente, mas recuperam no longo prazo, o que aumenta o risco de obesidade.

Como a obesidade pode prejudicar a saúde mental?

A obesidade não afeta somente a saúde física, ela traz consequências emocionais sérias, muitas vezes criando um ciclo vicioso. As células de gordura liberam citocinas pró-inflamatórias, que estão associadas a transtornos de humor. Pessoas obesas enfrentam preconceito devido ao peso em diversos locais e inclusive nos relacionamentos pessoais. Observe mais detalhes abaixo:

  • indivíduos obesos têm menos probabilidade de serem contratados ou promovidos em comparação com aqueles com IMC mais baixo e perdem a autoconfiança;
  • crianças e adolescentes com obesidade enfrentam maiores taxas de bullying e sua autoestima é impactada;
  • indivíduos obesos relatam experiências negativas com atendimentos médicos, evitam os profissionais de saúde e o sofrimento aumenta;
  • desequilíbrios de dopamina no cérebro criam comportamentos alimentares compulsivos e dificultam o controle do peso gerando frustração.

O que é necessário para equilibrar a relação com a comida?

Um relacionamento equilibrado com a comida vai além de simplesmente comer de forma saudável. É preciso entender gatilhos emocionais, praticar alimentação consciente e se libertar de dietas restritivas ou ciclos de compulsão alimentar. A seguir, vamos falar sobre as principais estratégias para atingir esse equilíbrio!

Mudança da mentalidade de dieta

Há pessoas que desenvolvem relacionamentos doentios com a comida devido a dietas ioiô, culpa e padrões alimentares restritivos. Ao invés de focar em regras rígidas, a alimentação intuitiva ajuda a se reconectar com os sinais naturais de fome e saciedade. É importante aprender a ouvir o corpo, comer quando estiver fisicamente com fome e parar quando se sentir satisfeito.

Gerenciamento da alimentação emocional

Se alguém costuma comer quando está estressado, ansioso ou entediado, pode ser um sinal de alimentação emocional. Isso acontece quando a comida é usada como um mecanismo de enfrentamento e não para satisfazer a fome física. É necessário reconhecer os gatilhos emocionais antes de comer e encontrar mecanismos alternativos como caminhar, ouvir música ou respirar fundo.

Prática da alimentação consciente

Alimentação consciente significa estar presente e vivenciar plenamente a comida, sem distrações. Para isso, é preciso desacelerar e mastigar corretamente. O cérebro leva cerca de 20 minutos para reconhecer a saciedade, portanto, comer muito rápido geralmente leva à compulsão alimentar. Diante disso, é fundamental observar os sabores, texturas e aromas da comida para aumentar a satisfação.

Agora você já sabe o que os estudos falam sobre obesidade e saúde mental. Diversas pessoas desenvolvem culpa e vergonha em relação à alimentação, depois de se entregarem a comida. Quebrar esse ciclo e curar o relacionamento com os alimentos por meio da autocompaixão é essencial. Pacientes que sofrem com compulsão alimentar ou alimentação emocional precisam de ajuda especializada.

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