Por que as doenças nutricionais estão aparecendo na população?
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As doenças nutricionais cresceram porque comemos mais, mas pior. Rotina corrida, insegurança alimentar, excesso de ultraprocessados, pouco preparo em casa e pressão estética levam a uma alimentação calórica, porém pobre em nutrientes. O resultado é um cenário de obesidade, carências nutricionais e adoecimento ligado ao estilo de vida.
Em julho de 2025, o Brasil saiu novamente do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU). Esse marco é uma conquista histórica, que mostra que, felizmente, boa parte dos brasileiros, atualmente, dispõe da condição de fazer diversas refeições ao dia.
No entanto, há um paradoxo: ao mesmo tempo em que isso é uma realidade, a população também tem apresentado números maiores de questões como obesidade, deficiências nutricionais e anemia. Como esses dois pontos se relacionam?
É hora de descobrir! A seguir, você vai entender porque, cada vez mais, as doenças nutricionais estão aparecendo na população e como podemos evitar esse tipo de realidade. Boa leitura!
Por que as doenças nutricionais estão aparecendo na população?
As doenças nutricionais, como deficiências de vitaminas e minerais, obesidade, anemia, resistência à insulina e até problemas gastrointestinais, não surgem “do nada”.
Na verdade, elas são resultado direto e reflexo de uma combinação de fatores sociais, econômicos e comportamentais que fazem parte da vida moderna. Por isso, entender essas causas ajuda a enxergar que o problema não está apenas “nas escolhas individuais”, mas em um contexto que molda nossos hábitos diariamente.
Vamos entender mais sobre isso?
Excesso de ultraprocessados
A oferta de alimentos ultraprocessados nunca foi tão grande. E não é só isso, não é mesmo? O marketing em cima desse tipo de produto também é muito massivo. E tudo isso não é para menos, já que eles são práticos, baratos, duram muito e estão por toda parte.
O problema é que, apesar de hiperpalatáveis e convenientes, esses produtos têm poucos nutrientes e muitas calorias, além de aditivos, açúcares, sódio e gorduras de baixa qualidade. O consumo frequente acaba substituindo alimentos frescos e, com o tempo, leva a deficiências nutricionais, ganho de peso e desregulação metabólica.
Rotinas aceleradas
A maioria de nós nunca para. E, por isso, a vida moderna pede pressa. Entre trabalho, estudos, deslocamentos e responsabilidades, sobra pouco tempo para planejar refeições nutritivas.
Isso leva ao hábito de “comer qualquer coisa”, pular refeições, depender de delivery ou montar pratos pouco equilibrados. A alimentação deixa de ser um momento de cuidado e vira algo automático, o que abre espaço para escolhas rápidas e pobres em nutrientes.
Insegurança alimentar
Apesar das melhoras nos dados brasileiros, milhões de pessoas vivem com acesso limitado ou irregular a alimentos de qualidade. E é importante salientar que insegurança alimentar não significa apenas “fome”, mas também:
- dificuldade de comprar alimentos frescos;
- priorização de opções mais baratas (que costumam ser mais calóricas e menos nutritivas);
- adaptação a uma rotina de escassez.
Isso faz com que deficiências de ferro, vitaminas do complexo B, cálcio e outros micronutrientes se tornem mais comuns.
Hábitos alimentares empobrecidos
Com o tempo, a população passou a cozinhar menos, a depender mais de refeições prontas e a consumir menos variedade de alimentos. A base alimentar ficou restrita, repetitiva e muito distante do que o corpo realmente precisa.
Assim, a falta de legumes, frutas, grãos integrais, proteínas de qualidade e alimentos naturais contribui para deficiências nutricionais, perda de vitalidade e aumento de doenças metabólicas.
Transtornos alimentares
Outro ponto que demanda muita atenção é a questão dos transtornos alimentares. A busca pelo corpo perfeito é uma constante em nossa sociedade, mas os padrões de beleza são cíclicos e tendem a mudar de tempos em tempos.
Atualmente, vemos uma volta da “ditadura da magreza”, o que faz com que o emagrecimento pouco saudável volte a ser um problema. Nesse contexto, muitas pessoas ingerem menos nutrientes do que deveriam ao longo do dia, o que faz com que deficiências e carências possam surgir.


Como esses pontos afetam a saúde?
A volta de doenças nutricionais não ocorre ao acaso. Ela, como você viu, é uma combinação de vários fatores. Ou seja: comer mais não é, necessariamente, um sinônimo de comer melhor.
Alimentos ultraprocessados são ricos em calorias, mas bem pobres em nutrientes. Apesar disso, costumam ser mais práticos para o dia a dia e, muitas vezes, podem ser mais baratos em comparação a algumas outras opções. Assim, se tornam uma alternativa viável para muita gente.
O consumo excessivo desse tipo de alimento gera uma reação em cadeia que envolve a desnutrição (ou seja, a falta de nutrientes adequados para que o corpo funcione bem) e a obesidade, gerada pelo excesso de calorias. Somado ao sedentarismo, muito frequente em nossa população, temos um problema de saúde pública.
Como evitar as doenças nutricionais?
A partir disso, temos algumas dicas que podem favorecer a saúde e diminuir os riscos de doenças nutricionais. É importante que os profissionais da saúde eduquem os seus pacientes, dentro da realidade de cada um deles, para tentar minimizar esses problemas.
Confira as dicas abaixo:
- estimule o consumo de alimentos naturais (frutas, verduras, legumes, proteínas e grãos);
- oriente a reduzir ultraprocessados;
- incentive refeições equilibradas e variadas, com cores, fibras e boas fontes de proteína;
- reforce a importância da hidratação ao longo do dia;
- sugira um planejamento básico de refeições, para evitar escolhas por impulso (para isso, um acompanhamento nutricional pode fazer toda a diferença);
- peça exames periódicos para monitorar ferro, B12, vitamina D, cálcio e glicemia;
- encaminhe para nutricionistas quando necessário;
- desencoraje dietas restritivas sem orientação, que aumentam deficiências;
- ensine o básico de leitura de rótulos, para decisões mais conscientes no dia a dia.
FAQ – Perguntas Frequentes
1. Doenças nutricionais acontecem apenas por falta de comida?
Não. Muitas doenças nutricionais surgem mesmo quando há comida suficiente, mas sem qualidade, fenômeno conhecido como fome oculta.
2. Crianças são mais vulneráveis às doenças nutricionais?
Sim. Em fases de crescimento, deficiências de ferro, vitamina A, D e cálcio impactam desenvolvimento físico e cognitivo.
3. Obesidade pode ser considerada uma doença nutricional?
Sim. A obesidade atual está frequentemente associada ao consumo de alimentos ultraprocessados, baixa ingestão de nutrientes e hábitos alimentares inadequados.
4. Suplementação resolve deficiências nutricionais?
Pode ajudar, mas não substitui uma alimentação equilibrada e acompanhamento profissional.
5. A volta das doenças nutricionais é um problema só do Brasil?
Não. Países em desenvolvimento e até países ricos enfrentam aumento de desnutrição oculta e deficiências de micronutrientes.
Chegamos ao final do nosso artigo. Nele, você pôde ver que as doenças nutricionais estão em alta em nossa população. Muitas vezes, o vilão é o alimento ultraprocessado que faz parte da rotina alimentar de muita gente. Por isso, orientar os pacientes a fazerem mudanças que caibam em suas realidades é fundamental.
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