Durante sua jornada na saúde, você vai se deparar com inúmeros cenários clínicos complexos. Um dos mais sensíveis, tanto do ponto de vista técnico quanto humano, é o aborto retido (ou abortamento retido).
Esta é uma condição que exige do médico mais que um profundo conhecimento em Ginecologia e Obstetrícia, mas também uma enorme capacidade de comunicação, empatia e acolhimento.
Neste artigo, vamos te mostrar o que é o aborto retido, como lidar com o luto da paciente e quais são as opções de tratamento mais seguras e atuais.
O que é o aborto retido?
O aborto retido é uma das formas de aborto espontâneo e ocorre quando há a morte do embrião ou feto, mas os produtos da concepção (o feto, a placenta e as membranas) permanecem dentro do útero, sem serem expelidos naturalmente.
Geralmente, isso acontece antes da 20ª semana de gestação.
O termo "retido" é importante, pois diferencia o quadro do aborto espontâneo (onde o corpo expulsa o material) ou de outros tipos de interrupção.
Quais são as causas e fatores de risco?
Nós sabemos que a maioria dos abortos (retidos ou espontâneos) ocorre devido a problemas genéticos ou cromossômicos no embrião, que são incompatíveis com a vida. As principais causas incluem:
- Anomalias cromossômicas: correspondem à maioria dos casos no primeiro trimestre;
- Fatores maternos: idade materna avançada, histórico de abortos anteriores;
- Problemas endócrinos: como diabetes não controlada ou problemas da tireoide;
- Infecções ou anomalias uterinas.


Como é feito o diagnóstico?
O quadro costuma ser silencioso, o que aumenta o sofrimento psíquico da paciente. Muitas vezes, a mulher não apresenta sangramento ou dor, pois o corpo ainda não iniciou o processo de expulsão.
Em geral, os sinais clínicos incluem o desaparecimento de sintomas típicos de gravidez (náuseas, sensibilidade mamária) e ausência de crescimento uterino.
O diagnóstico de certeza é feito pelo ultrassom, que detecta:
- ausência de batimentos cardíacos fetais quando deveriam estar presentes;
- saco gestacional vazio (ovo anembrionário).
Como deve ser a conduta médica?
Uma vez confirmado o aborto retido, o médico e a paciente devem discutir as três principais vias de tratamento, baseadas nas diretrizes de atenção humanizada ao abortamento.
1. Conduta expectante
Consiste em esperar que o corpo da mulher inicie o processo de expulsão de forma natural.
É indicada em gestações mais jovens (primeiro trimestre) e quando a paciente está clinicamente estável, sem sinais de infecção ou sangramento intenso.
A vantagem é que evita a intervenção, porém, como desvantagens destacam-se o tempo prolongado de espera e a ansiedade da paciente.
2. Conduta medicamentosa
Caracterizada pelo uso de medicamentos (como Misoprostol) que induzem as contrações uterinas e a dilatação do colo para a expulsão do material.
Geralmente mais rápida que a expectante, é o método de escolha em muitos serviços, desde que a paciente receba orientação e acompanhamento.
A grande vantagem dessa conduta é que ela evita a cirurgia, sendo menos invasiva.
3. Conduta cirúrgica (aspiração uterina)
Intervenção para remover o material retido, geralmente por Aspiração Manual Intrauterina (AMIU) ou, menos frequentemente hoje, por curetagem uterina.
É indicada em casos de instabilidade hemodinâmica, infecção, ou quando as outras condutas falham ou são contra indicadas. A AMIU é preferida por ser mais rápida e menos traumática que a curetagem. Com ela se resolve o quatro imediatamente.
A importância do acolhimento humanizado
Para a paciente, o aborto retido é uma perda. O momento do diagnóstico e a escolha do tratamento são carregados de emoção e luto. O futuro médico deve saber que a humanização é base do seu atendimento. Confira algumas dicas de abordagens que poderão ajudá-lo no dia a dia!
- Evite jargões técnicos. Seja direto, mas gentil. Use frases como: "O coração do bebê parou de bater" ou "Infelizmente, a gestação não evoluiu". Nunca minimize a dor;
- A paciente deve participar da escolha do tratamento (expectante, medicamentoso ou cirúrgico) sempre que a condição clínica permitir. O médico deve atuar como um orientador, apresentando riscos e benefícios de cada via;
- Ofereça recursos de apoio psicológico. Reconheça o luto e a dor, permitindo que a paciente expresse seus sentimentos sem julgamento. Lembre-se, o médico também atende casos de aborto legal, e em ambos os cenários a ética é inegociável.
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FAQ — Perguntas frequentes sobre aborto retido
O aborto retido pode causar infecção?
Sim. O risco de infecção (sepse) aumenta quanto maior for o tempo de permanência do tecido morto dentro do útero, embora o risco seja baixo no primeiro trimestre. É por isso que o monitoramento clínico é fundamental, especialmente na conduta expectante.
O aborto retido foi causado por algo que a mulher fez?
Na esmagadora maioria dos casos, não. O aborto retido é um evento biológico, causado por problemas no desenvolvimento embrionário. O médico deve tranquilizar a paciente, garantindo que não foi causado por exercícios, estresse ou alimentos.
Depois de um abortamento retido, posso engravidar novamente?
Sim. Um episódio isolado de aborto retido geralmente não impede futuras gestações. O médico deve orientar sobre a recuperação física e emocional e, se for o caso, iniciar a investigação de causas apenas após dois ou mais episódios de perda gestacional.
O aborto retido é um teste para a formação do médico. Ele exige excelência clínica para manejar as opções terapêuticas e sensibilidade humanística para guiar a paciente em um momento de dor.
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