Como funciona o SNT: tudo sobre o Sistema Nacional de Transplantes

O Sistema Nacional de Transplantes coordena, fiscaliza e organiza a doação de órgãos no Brasil. Ele controla a fila única, define prioridades com base em critérios médicos, coordena a logística do transporte e apoia equipes multiprofissionais para que cada órgão chegue, com segurança, a quem mais precisa.
Doar órgãos é um ato de amor, respeito e preocupação com o próximo. No entanto, é um assunto que ainda traz muitos tabus e gera discussões que, muitas vezes, são cercadas de desinformações e até mesmo uma boa dose de fake news.
Um bom exemplo disso é o caso do apresentador Fausto Silva, conhecido como Faustão. Após ser submetido a alguns transplantes entre os anos de 2023 e 2025, ele e o seu caso foram vítimas de informações desencontradas e boatos infundados sobre o Sistema Nacional de Transplantes.
E então, que tal saber como isso funciona na prática? Continue a leitura para tirar as suas dúvidas e entenda como a doação de órgãos funciona no Brasil!
O que é o Sistema Nacional de Transplantes?
O Sistema Nacional de Transplantes (SNT) é uma estrutura pública, vinculada ao Ministério da Saúde, responsável por: regular, coordenar e fiscalizar todas as atividades relacionadas à doação, captação, distribuição e transplante de órgãos e tecidos no Brasil.
O SNT é reconhecido internacionalmente pela sua organização e pelo fato de que o Brasil possui o maior sistema público de transplantes do mundo.
Ele garante que tudo seja feito com ética, transparência e equidade. É graças ao SNT que:
- a fila é nacional, pública e única;
- nenhum paciente “fura” a fila;
- critérios médicos definem prioridade, não critérios pessoais;
- hospitais e equipes seguem protocolos rígidos;
- a distribuição de órgãos segue regras padronizadas.


Como o SNT funciona?
Por se tratar de um assunto muito sério e também bem delicado, o funcionamento do Sistema Nacional de Transplantes é feito em etapas. Cada uma delas é rigorosamente organizada.
Vamos conhecê-las?
Captação
A captação começa quando um hospital identifica um possível doador. Existem dois cenários:
- doadores falecidos (morte encefálica ou parada cardiorrespiratória, dependendo do órgão);
- doadores vivos (para rim ou parte do fígado).
Após a confirmação da morte encefálica, que por si só já é um protocolo rígido, realizado por médicos e toda uma equipe de saúde, a família é informada e pode autorizar a doação.
A abordagem é sempre feita com cuidado e empatia, já que se trata de um momento de luto. Uma vez que a família aceita, entram em ação as Centrais de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDOs), que coordenam todo o processo.
Logística
A doação exige uma logística extremamente precisa. Órgãos têm tempos diferentes de viabilidade fora do corpo:
- coração: 4 a 6 horas;
- pulmão: 6 a 8 horas;
- fígado: 8 a 12 horas;
- rim: até 24-36 horas, entre outros.
Por isso, cada minuto importa. E, quando se fala isso, não é um exagero. Por conta disso, o SNT organiza transporte aéreo, terrestre e escolta, quando necessário. Tudo para que o processo aconteça o mais rapidamente possível.
Fila
Como mencionamos anteriormente, a fila é única, pública e transparente. Não existe fila privada, fila especial ou atalhos, ao contrário do que se espalha por aí em casos envolvendo celebridades e pessoas de melhor condição socioeconômica.
O paciente entra na fila a partir da indicação médica formal. O sistema registra:
- doença;
- tipo e urgência do transplante;
- dados clínicos;
- tempo de espera;
- compatibilidade sanguínea e genética;
- localização e outros detalhes.
A lista muda constantemente, à medida que surgem novos doadores e novos receptores, e conforme o estado clínico dos pacientes se modifica. Por conta disso, um doente que tem o caso agravado pode ser colocado à frente da fila, por exemplo.
Critérios de prioridade
E já que estamos falando sobre isso… ressaltamos que a prioridade não depende de fama, dinheiro ou posição social. Ela é definida por critérios médicos, como:
- urgência extrema;
- gravidade da doença;
- risco de morte;
- compatibilidade do órgão;
- tempo de espera;
- idade e peso (em transplantes pediátricos).
Em alguns casos, como transplante de fígado, existe um sistema de pontuação, conhecido como MELD, que determina o risco de morte sem transplante. Quanto mais alto o MELD, maior a prioridade.
Tudo isso garante que o órgão vá para quem mais precisa naquele momento.
Papel das equipes de transplante
As equipes de transplante são formadas por médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, anestesistas e outros profissionais. Isso, é o que chamamos de time multidisciplinar.
De modo geral, o seu papel inclui:
- avaliar pacientes na fila;
- acompanhar exames e evolução clínica;
- manter comunicação clara e empática com famílias;
- realizar o transplante em si;
- acompanhar o paciente no pós-operatório;
- garantir que toda a documentação siga as normas do SNT.
Além disso, cabe à equipe dar suporte aos familiares e realizar o procedimento, tanto captando os órgãos do doador, quanto realizando o transplante ao receptor. Por isso, muitas equipes trabalham simultaneamente para que tudo dê certo.
FAQ – Perguntas Frequentes
1. O transplante de órgãos é sempre a primeira opção de tratamento?
Não. Ele é indicado apenas quando outras terapias não são suficientes para manter a função do órgão.
2. Qualquer pessoa pode ser doadora de órgãos?
Em geral, sim. A avaliação depende do estado de saúde do órgão e não da idade do doador.
3. Quanto tempo um órgão pode ficar fora do corpo?
Depende do órgão: coração e pulmões têm poucas horas; rim pode resistir por mais tempo. Isso explica a logística rápida.
4. O receptor pode escolher o doador?
Não. A fila é única e segue critérios médicos e de justiça distributiva.
5. A doação interfere em velório ou questões religiosas?
Não. O corpo é reconstruído adequadamente e a maioria das tradições religiosas apoia a doação como ato de solidariedade.
Gostou de saber mais sobre o Sistema Nacional de Transplantes? Esse é um sistema que envolve inúmeras pessoas e muito trabalho para funcionar como deveria. Tudo isso com o objetivo de salvar vidas!
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