Se você está imerso na rotina de estudos para o vestibular de Medicina ou sentindo o peso da ansiedade noturna, é muito provável que já tenha ouvido falar ou até considerado usar a melatonina para ajudar a dormir.
Nos últimos anos, o uso de suplementos de melatonina no Brasil cresceu. No entanto, o que parece ser uma solução simples pode esconder riscos, especialmente quando há automedicação.
Antes de tomar é importante estar ciente sobre o assunto. Neste artigo, você entender o que é a melatonina, para que serve e quais são os cuidados e riscos na utilização que todo futuro profissional de Medicina deve conhecer.
O que é a melatonina e qual a sua função fisiológica?
A melatonina não é um simples "remédio para dormir"; ela é um hormônio natural produzido principalmente pela glândula pineal, localizada no cérebro. A produção aumenta naturalmente quando escurece, sinalizando ao corpo que é hora de se preparar para o sono.
Nós a chamamos de o "hormônio da escuridão". Sua principal função fisiológica é regular o ciclo circadiano, que é o nosso relógio biológico de 24 horas.
É importante saber que ela não induz o sono de forma direta, como um sedativo. Em vez disso, ela regula o tempo do sono, ajustando o corpo para o ritmo noturno e promovendo a latência (o tempo que levamos para adormecer).
Em quais situações a suplementação de melatonina é indicada?
A suplementação de melatonina é considerada segura e eficaz, mas apenas quando há uma indicação clínica específica e orientação médica. Os principais casos de indicação são:
- Ajuste do fuso horário (jet lag): ajuda a ressincronizar o relógio biológico após viagens longas.
- Distúrbios do sono no ciclo circadiano: como o atraso de fase (quando a pessoa tem dificuldade crônica para dormir e acordar cedo).
- Alguns casos de insônia primária: especialmente em idosos, cuja produção natural de melatonina tende a diminuir.
Se você tem dificuldade para dormir, a sugestão é que primeiro você procure entender mais sobre distúrbios do sono e a importância do sono para a sua saúde e só ingira suplementos com a orientação de um profissional da área da saúde.


Quais são os cuidados essenciais que devem ser tomados antes de suplementar a melatonina?
O principal risco associado à melatonina no Brasil é a automedicação. Por ser vendida sem receita, muitas pessoas a utilizam sem orientação profissional, o que leva a doses inadequadas e uso em situações onde não há indicação.
Para o futuro médico, é essencial conhecer os principais cuidados e riscos na utilização deste hormônio. Descubra!
1. Risco de desregulação do ciclo circadiano
Paradoxalmente, o uso inadequado de Melatonina pode desregular o seu sono. Doses muito altas ou tomadas no momento errado podem causar sonolência diurna e dificultar a produção natural do hormônio pelo seu próprio corpo.
Dica: ela deve ser tomada em doses baixas e, geralmente, 30 a 60 minutos antes do horário de dormir, para mimetizar o pico natural.
2. Efeitos colaterais comuns
Embora seja bem tolerada pela maioria das pessoas, a melatonina pode causar efeitos colaterais, especialmente nas primeiras semanas de uso ou em doses elevadas:
- Sonolência diurna;
- Dor de cabeça ou tontura;
- Náuseas e desconforto gastrointestinal;
- Irritabilidade e sonhos vívidos (ou pesadelos).
3. Interações medicamentosas
A melatonina pode interagir com diversos medicamentos, alterando sua eficácia ou aumentando os efeitos colaterais. Dê atenção especial para:
- Anticoagulantes: pode aumentar o risco de sangramento;
- Medicamentos para diabetes: pode afetar os níveis de açúcar no sangue;
- Imunossupressores: pode interferir na eficácia desses medicamentos.
4. Uso inadequado a longo prazo e grupos de risco
O uso contínuo e sem monitoramento médico, especialmente em jovens, não é totalmente compreendido em relação aos seus impactos a longo prazo.
Por isso, o uso em longo prazo não é recomendado para crianças e adolescentes por falta de estudos sobre a relação entre a melatonina e o impacto no desenvolvimento hormonal e neurológico.
Grávidas e lactantes também devem evitar pois inexistem dados de segurança suficientes, razão pela qual o suplemento costuma ser contraindicado.
O papel do médico na Medicina do Sono
A crescente procura pela melatonina reforça a importância da Medicina do Sono (ou Neurossonologia) como uma área promissora.
O médico especialista é o único capaz de fazer o diagnóstico diferencial correto de distúrbios como a apneia do sono, insônia primária ou outros problemas, e indicar a melatonina ou outras terapias de forma segura.
Lembre-se: dormir mal pode ser um sintoma de algo maior. Não trate o sintoma com suplementos sem antes investigar a causa com um profissional.
FAQ — Perguntas frequentes sobre riscos e cuidados no uso de melatonina
Qual é a dose adequada de melatonina para adultos?
A dose ideal é sempre aquela determinada por um médico, mas a maioria dos estudos aponta a eficácia de doses baixas, entre 0,5 mg a 3 mg, tomadas pouco antes de dormir. Doses mais altas raramente são mais eficazes e tendem a aumentar os efeitos colaterais.
Posso tomar melatonina todos os dias?
A melatonina geralmente é segura para uso a curto prazo. No entanto, o uso contínuo e a longo prazo deve ser sempre monitorado por um médico. Se você depende dela diariamente, isso pode indicar um distúrbio do sono subjacente que precisa de investigação e tratamento específicos.
A melatonina causa dependência?
A melatonina não é considerada um medicamento que causa dependência física da mesma forma que benzodiazepínicos. Contudo, seu uso inadequado pode levar a uma dependência psicológica ou desregular o corpo, fazendo com que o indivíduo se sinta incapaz de dormir sem ela.
A melatonina é um ótimo suplemento quando usado corretamente. No entanto, o uso indiscriminado e a automedicação representam um risco desnecessário à sua saúde e ao seu desempenho.
O futuro profissional de Medicina deve entender a fisiologia por trás do sono e a importância da orientação clínica. Nós da Afya, preparamos você para ser um médico que promove a saúde integral.
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