Aumento da sífilis no Brasil: causas, tratamento e prevenção

Entenda as causas, sintomas, tratamento e métodos de prevenção da sífilis no Brasil para combater seu aumento atual.

Aumento da sífilis no Brasil: causas, tratamento e prevenção
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18.03.2026

O aumento acelerado de casos de sífilis é uma realidade no Brasil e preocupa profissionais de saúde, estudantes de Medicina e toda a população. De acordo com dados mais recentes, nos últimos anos, o número de pessoas diagnosticadas com essa infecção sexualmente transmissível (IST) cresce de forma constante, chamando atenção para falhas na prevenção e necessidade urgente de ampliação das estratégias de controle.

O quadro atual transformou esse tema em prioridade de saúde pública. Pais, jovens, profissionais e futuros médicos devem entender por que a sífilis retorna com força, como identificá-la, quais os tratamentos eficazes e, sobretudo, como evitar novos casos. 

Panorama da sífilis: um desafio crescente

O crescimento de casos de sífilis no território brasileiro é notório. Dados do Ministério da Saúde apontam que homens, mulheres e recém-nascidos são impactados. 

Segundo registros oficiais, só entre 2010 e 2022, o índice de notificação da chamada sífilis adquirida aumentou mais de dez vezes. E não para por aí: a sífilis congênita, transmitida de mãe para filho durante a gestação, também mostra números alarmantes.

  • Em 2022, foram quase 200 mil casos notificados de sífilis adquirida;
  • Entre gestantes, os casos ultrapassam a marca de 70 mil por ano;
  • A sífilis congênita chegou a cerca de 30 mil ocorrências anuais.

Os dados reforçam: o Brasil enfrenta uma epidemia silenciosa, com impacto social, econômico e emocional.

A incidência maior ocorre entre jovens adultos, faixa etária que deveria ser o motor das campanhas de prevenção. Mas, afinal, o que está por trás desse problema de saúde pública?

Por que os casos aumentaram?

O avanço da sífilis pode surpreender, já que se trata de uma doença antiga com diagnóstico e tratamento amplamente conhecidos. Alguns fatores ajudam a explicar esse fenômeno:

  • Crescimento das relações sexuais desprotegidas: principalmente entre adolescentes e jovens adultos;
  • Falta ou desinformação sobre ISTs na sociedade, inclusive entre adultos;
  • Dificuldade de acesso imediato ao diagnóstico, sobretudo em regiões afastadas;
  • Interrupções em campanhas regulares de prevenção, agravadas durante a pandemia da covid-19;
  • Desabastecimento pontual de penicilina benzatina, o principal medicamento para tratamento, em momentos críticos.

Médicos, enfermeiros e agentes de saúde relatam ainda o estigma em torno do tema, o que dificulta a busca ativa por testes e tratamentos. Por isso, uma das estratégias centrais é falar abertamente sobre ISTs, sintomas e prevenção em escolas, unidades básicas de saúde e na própria família.

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Como identificar a sífilis nas diferentes fases?

A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum e evolui em estágios. Cada fase tem sinais e sintomas específicos, mas nem sempre são perceptíveis. Isso ajuda a infecção a progredir sem ser notada.

  • Fase primária: aparece uma ferida única, indolor, chamada de cancro duro, geralmente na área genital, anal ou oral. Muitas pessoas confundem ou nem percebem, porque a ferida desaparece sozinha depois de alguns dias;
  • Fase secundária: surgem manchas avermelhadas na pele, principalmente nas palmas das mãos e solas dos pés, além de sintomas como febre baixa, mal-estar, dores musculares e ínguas;
  • Fase latente: período em que não há sintomas visíveis, mas a bactéria continua no organismo;
  • Fase terciária: pode ocorrer anos depois da infecção original e envolver órgãos graves, como coração, sistema nervoso e ossos.

Em gestantes, a infecção pode não dar sinais visíveis, o que exige a realização de exames em todas as consultas de pré-natal. Quando a bactéria atinge o bebê, o impacto pode ser devastador: abortos, natimortos, malformações e óbito neonatal fazem parte desse quadro.

Diagnóstico: a importância do teste rápido

O diagnóstico precoce é a melhor forma de deter o avanço da sífilis. O teste rápido, disponível na rede pública de saúde, pode ser feito com uma pequena amostra de sangue, oferecendo resultado em aproximadamente 30 minutos.

Profissionais de saúde recomendam testagem em situações de maior risco, como antes do início de uma nova relação sexual, em caso de sintomas suspeitos, para gestantes e parceiros, bem como para quem tem histórico de ISTs. 

As campanhas nacionais de saúde estimulam, ainda, que a testagem seja uma rotina para todos que mantêm vida sexual ativa, principalmente para populações vulneráveis.

Tratamento: por que é simples e requer disciplina?

O tratamento para sífilis é considerado simples: em grande parte dos casos, uma única dose de penicilina benzatina é suficiente para curar fases iniciais. Entretanto, a disciplina é fundamental para interromper a cadeia de transmissão. Quem começa o tratamento precisa:

  • Completar a(s) dose(s) conforme recomendação médica;
  • Evitar relações sexuais até o fim da medicação e dos testes de controle;
  • Realizar acompanhamento laboratorial para confirmar a cura;
  • Informar e incentivar o(a) parceiro(a) sexual a também realizar o teste e, se necessário, tratar-se.

Pessoas que tiveram sífilis uma vez podem contrair de novo, pois o corpo não adquire imunidade permanente após a cura.

Prevenção: o que realmente funciona contra a sífilis?

A prevenção da sífilis retoma conceitos básicos, mas nem sempre são seguidos por todos. O uso correto e regular do preservativo é, ainda hoje, o método mais garantido para bloquear a transmissão da bactéria.

  • Preservativo masculino ou feminino em todas as relações, inclusive orais e anais;
  • Testagem regular, mesmo sem sintomas, em quem tem vida sexual ativa;
  • Educação sexual desde a adolescência nas escolas e em casa;
  • Cuidados durante a gravidez, reforçando exames de pré-natal e acompanhamento médico.

Programas de vacinação também contribuem para a cobertura geral de saúde. Apesar de não existir vacina específica para sífilis, fortalecer o calendário vacinal reduz riscos de outras doenças que podem confundir o diagnóstico. 

Durante festas populares, como o Carnaval, o risco pode ser ainda maior. Por isso, campanhas intensificam a distribuição de preservativos e fomentam o diálogo aberto. 

Complicações e consequências do tratamento tardio

Ignorar sintomas ou atrasar o início do tratamento pode gerar complicações graves. Na fase terciária, anos após a infecção inicial, pode comprometer-se o coração, o sistema nervoso e outros órgãos, podendo levar a incapacidades permanentes, quadros psiquiátricos, cegueira, surdez e até óbito.

Outro aspecto crítico ocorre quando gestantes não são diagnosticadas ou tratadas a tempo: danos ao bebê podem ser irreversíveis. Por isso, o acompanhamento do pré-natal ganha ainda mais destaque. 

Educando para o futuro: a importância da formação médica voltada à saúde pública

O combate ao avanço da sífilis requer mais do que ações pontuais. Precisa de uma população informada e de profissionais capacitados, desde o início da graduação, em protocolos de prevenção, diagnóstico e manejo de ISTs.

O curso de Medicina do Afya Faça Medicina integra em sua formação o incentivo à abordagem clínica humanizada, orientação em saúde e participação em campanhas educativas. O futuro profissional se torna multiplicador de informação, não apenas dentro do consultório, mas junto à comunidade.

O aumento dos casos de sífilis nas últimas décadas coloca toda a sociedade diante do desafio de repensar práticas de prevenção, ampliação do acesso ao diagnóstico e melhora da adesão ao tratamento. 

A responsabilidade é compartilhada: profissionais de saúde, médicos em formação, gestores, escolas, famílias e cada cidadão exercem papel essencial.

Com a integração da teoria médica à vivência prática, como propõe a metodologia da Afya, a educação em saúde se torna mais forte e eficiente, capaz de transformar hábitos e proteger as próximas gerações.

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Perguntas frequentes sobre sífilis no Brasil

O que causa o aumento da sífilis?

O aumento da sífilis está relacionado principalmente ao maior número de relações sexuais desprotegidas, falta de informação sobre ISTs, redução de campanhas de prevenção e interrupções no abastecimento do medicamento padrão em determinados momentos.

Como é feito o tratamento da sífilis?

O tratamento da sífilis consiste geralmente na administração de penicilina benzatina, aplicada por via intramuscular. A quantidade de doses pode variar conforme o estágio da doença e a orientação médica. 

Quais os sintomas iniciais da sífilis?

Os primeiros sinais da sífilis costumam ser uma ferida única, indolor, chamada cancro duro, na região genital, anal ou oral. Ela desaparece sozinha após alguns dias, mesmo sem tratamento. Depois, podem surgir manchas vermelhas no corpo, febre baixa, ínguas e mal-estar. Muitas pessoas não reconhecem esses sintomas, o que favorece a disseminação da infecção.

Onde fazer teste de sífilis gratuito?

O teste de sífilis é disponibilizado de forma gratuita nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) em todo o Brasil. Também pode ser realizado em centros de testagem e aconselhamento. O procedimento é simples, rápido e sigiloso. Gestantes obrigatoriamente devem ser testadas durante o pré-natal, o que pode ser realizado na rede pública.

Como prevenir a sífilis no Brasil?

Para prevenir a sífilis é fundamental o uso regular de preservativos em todas as relações, realização de exames periódicos, educação sexual e testagem de gestantes durante o pré-natal. Essas medidas, associadas à disseminação de informação qualificada, contribuem para frear o avanço da infecção no país.

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