Sinusite: o que é, quais são as causas e como identificar os sintomas

Entenda o que é sinusite, principais sintomas, diferenças entre viral e bacteriana, diagnóstico e tratamento adequado para cada caso.

Sinusite: o que é, quais são as causas e como identificar os sintomas
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05.05.2026

A sensação de pressão no rosto, a dor ao inclinar a cabeça e a congestão nasal persistente são experiências comuns para muitas pessoas. No entanto, quando esses sintomas deixam de ser passageiros e passam a comprometer o dia a dia, pode estar em curso um quadro de sinusite.

Apesar de muito conhecida, a sinusite ainda é cercada de dúvidas. Ela é sempre causada por infecção? Toda secreção espessa significa sinusite? Existe diferença entre sinusite aguda e crônica? E qual é a relação entre sinusite e rinite?

Para compreender a sinusite de forma completa, fizemos esse guia com todas as dúvidas sobre o assunto. Vamos lá?

O que é sinusite?

O termo sinusite refere-se à inflamação dos seios paranasais, cavidades ósseas preenchidas por ar e revestidas por mucosa respiratória. Atualmente, o termo mais técnico utilizado é rinossinusite, pois a inflamação quase sempre envolve simultaneamente a mucosa nasal.

Os seios paranasais incluem os seios maxilares; seios frontais; seios etmoidais e seios esfenoidais.

Neste sentido, essas estruturas possuem funções importantes, como:

  • Redução do peso do crânio;

  • Aquecimento e umidificação do ar;

  • Produção de muco;

  • Contribuição para a ressonância vocal.

Quando ocorre obstrução dos óstios de drenagem, que são pequenas aberturas responsáveis pela comunicação entre os seios e a cavidade nasal, o muco deixa de ser eliminado adequadamente. Essa retenção favorece a inflamação e, em alguns casos, a infecção.

Quais são os tipos de sinusite?

A classificação da sinusite é baseada principalmente na duração dos sintomas, mas também pode considerar o padrão de recorrência e o mecanismo inflamatório envolvido. Entender essa divisão é fundamental porque ela influencia diretamente a conduta terapêutica. Por isso, vamos explicar melhor como cada uma delas funciona. 

Sinusite aguda

A sinusite aguda é aquela com duração de até quatro semanas. Na maioria dos casos, inicia-se após uma infecção viral das vias aéreas superiores, como o resfriado comum. O vírus provoca inflamação da mucosa nasal, edema dos óstios de drenagem e retenção de secreção nos seios paranasais.

É importante destacar que a maioria dos episódios agudos é de origem viral e tende à resolução espontânea. A suspeita de infecção bacteriana secundária surge quando há:

  • Persistência dos sintomas por mais de dez dias sem melhora;

  • Piora clínica após uma melhora inicial;

  • Febre mais elevada associada à dor facial intensa.

Os sintomas costumam ter início relativamente rápido e maior intensidade, com dor facial, congestão nasal e secreção espessa.

Sinusite subaguda

A sinusite subaguda ocorre quando os sintomas persistem entre quatro e doze semanas. Nesses casos, pode haver resolução parcial do processo inflamatório inicial, mas sem recuperação completa da drenagem adequada dos seios paranasais.

Frequentemente, está associada a tratamento incompleto ou fatores predisponentes persistentes, como rinite alérgica não controlada ou alterações anatômicas.

Sinusite crônica

Considera-se sinusite crônica quando os sintomas duram mais de doze semanas, mesmo com tratamento clínico adequado.

Diferentemente da forma aguda, a sinusite crônica nem sempre está relacionada a infecção bacteriana ativa. Muitas vezes, trata-se de um processo inflamatório persistente da mucosa, com participação de fatores imunológicos, alérgicos e estruturais.

Entre os mecanismos envolvidos estão:

  • Disfunção do transporte mucociliar;

  • Inflamação eosinofílica;

  • Presença de pólipos nasais;

  • Alterações anatômicas que dificultam drenagem.

Os sintomas podem ser menos intensos que na fase aguda, porém mais contínuos, incluindo congestão nasal crônica, redução do olfato e sensação constante de pressão facial.

Sinusite recorrente

A sinusite recorrente é caracterizada por quatro ou mais episódios agudos ao longo do ano, com intervalos de resolução completa entre eles.

Esse padrão geralmente indica a presença de fatores predisponentes persistentes, como:

  • Rinite alérgica mal controlada;

  • Desvio de septo significativo;

  • Hipertrofia de cornetos;

  • Imunodeficiências.
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Quais são os principais sintomas da sinusite?

Os sintomas da sinusite decorrem da inflamação e da pressão exercida pelo acúmulo de secreção nos seios paranasais.

Entre os mais frequentes estão:

  • Dor ou pressão facial;

  • Sensação de peso na testa, nas bochechas ou atrás dos olhos;

  • Congestão nasal persistente;

  • Secreção nasal espessa, que pode ser amarelada ou esverdeada;

  • Gotejamento pós-nasal;

  • Redução ou perda do olfato;

  • Piora da dor ao inclinar a cabeça para frente.

A dor facial costuma ser um dos sintomas mais característicos, pois resulta do aumento da pressão intra-sinusal.

Em crianças, o quadro pode ser menos típico, mas é comum observar tosse noturna persistente, irritabilidade, respiração oral e halitose (alteração no hálito, característico de doença).

A localização da dor pode sugerir o seio acometido, embora essa correlação nem sempre seja absoluta:

  • Dor frontal sugere acometimento do seio frontal;

  • Dor nas regiões malares indica possível comprometimento maxilar;

  • Dor profunda retro-orbitária pode estar associada ao seio esfenoidal.

Qual é a relação entre rinite e sinusite?

A relação entre rinite e sinusite é estreita e fisiopatologicamente bem estabelecida. A inflamação crônica da mucosa nasal, especialmente na rinite alérgica, provoca edema e obstrução dos óstios de drenagem dos seios paranasais.

Quando a drenagem é comprometida, o muco se acumula, criando ambiente propício para proliferação microbiana e perpetuação da inflamação.

Por esse motivo, pacientes com rinite mal controlada apresentam maior risco de desenvolver sinusite recorrente ou crônica.

Essa interação reforça o conceito de via aérea única, que reconhece nariz, seios paranasais e vias aéreas inferiores como um sistema funcional integrado. Assim, tratar adequadamente a rinite é também uma estratégia preventiva contra episódios de sinusite.

Como é feito o diagnóstico da sinusite?

O diagnóstico da sinusite é predominantemente clínico. A anamnese detalhada continua sendo o principal instrumento diagnóstico. Os critérios clínicos clássicos identificam a presença de pelo menos dois dos seguintes sintomas:

  • Congestão ou obstrução nasal;

  • Secreção nasal anterior ou posterior;

  • Dor ou pressão facial;

  • Redução ou perda do olfato.

Na sinusite bacteriana aguda, três situações aumentam a probabilidade diagnóstica:

  1. Sintomas persistentes por mais de dez dias sem melhora;

  2. Piora dos sintomas após melhora inicial;

  3. Febre alta associada a dor facial intensa e secreção purulenta.

A avaliação deve considerar também fatores predisponentes, como rinite alérgica, tabagismo e alterações anatômicas.

Quando solicitar exames de imagem?

A tomografia computadorizada de seios da face é o exame de escolha quando há suspeita de sinusite crônica ou complicações.

Entretanto, é importante reforçar que:

  • A tomografia não é indicada rotineiramente em quadros agudos simples;

  • Alterações radiológicas podem persistir mesmo após resolução clínica;

  • A indicação deve ser baseada no contexto clínico.

Na sinusite crônica, a tomografia auxilia na avaliação de espessamento mucoso persistente, presença de pólipos, obstruções anatômicas e comprometimento de múltiplos seios.

A radiografia simples perdeu relevância na prática atual devido à menor sensibilidade.

Qual é o tratamento da sinusite aguda?

O tratamento da sinusite aguda exige, antes de tudo, uma distinção cuidadosa entre quadro viral autolimitado e infecção bacteriana secundária. Essa diferenciação determina conduta, impacto na resistência antimicrobiana e desfecho clínico.

A maioria dos episódios de sinusite aguda tem origem viral e evolui para resolução espontânea em poucos dias. O grande desafio é reconhecer quando o processo inflamatório ultrapassa esse curso esperado.

Sinusite viral

Na sinusite viral, o objetivo do tratamento é aliviar sintomas enquanto o organismo resolve a infecção.

A base terapêutica inclui analgésicos e antitérmicos, que reduzem dor facial e febre, lavagem nasal com solução salina isotônica ou hipertônica, que melhora o clearance mucociliar e reduz a viscosidade da secreção e corticóide intranasal, especialmente quando há edema importante da mucosa ou associação com rinite alérgica.

Sinusite bacteriana

A suspeita de sinusite bacteriana aguda deve ser baseada em critérios clínicos consistentes, como:

  • Sintomas persistentes por mais de dez dias sem melhora;

  • Piora clínica após aparente recuperação inicial;

  • Febre alta associada a secreção purulenta e dor facial intensa.

A fisiopatologia envolve colonização bacteriana secundária em um ambiente previamente inflamado e com drenagem comprometida.

O antibiótico deve ser escolhido considerando perfil epidemiológico local e fatores de risco individuais.

A duração do tratamento costuma variar entre 5 e 10 dias em adultos, podendo ser estendida em casos mais graves ou pacientes com comorbidades. A tendência atual é evitar tratamentos prolongados desnecessários.

Além da antibioticoterapia, mantêm-se medidas adjuvantes como a lavagem nasal, corticóide intranasal e analgesia adequada.

Outro ponto importante é que a reavaliação clínica é essencial se não houver melhora após 48 a 72 horas de tratamento antimicrobiano.

Como prevenir episódios de sinusite?

Como vimos anteriormente, a sinusite geralmente se desenvolve a partir de um processo inflamatório que compromete a drenagem dos seios. Portanto, prevenir significa manter o sistema mucociliar funcional e reduzir estímulos inflamatórios recorrentes.

O primeiro eixo preventivo é o controle da rinite alérgica. A inflamação nasal crônica promove edema persistente da mucosa e estreitamento dos óstios sinusais, favorecendo retenção de secreção. 

Quando a rinite é adequadamente tratada com corticóides intranasais e controle ambiental, o risco de sinusite recorrente diminui significativamente.

Outro ponto essencial é reduzir a exposição a irritantes ambientais. Fumaça de cigarro, poluentes atmosféricos e partículas inaláveis prejudicam o funcionamento do epitélio ciliado, responsável pelo transporte do muco. 

A disfunção mucociliar facilita a estagnação de secreções e aumenta a suscetibilidade a infecções secundárias.

A hidratação adequada também tem papel fisiológico relevante. Secreções mais fluidas são transportadas com maior eficiência pelos cílios da mucosa respiratória. Embora muitas vezes negligenciada, a hidratação influencia diretamente a viscosidade do muco.

A higiene nasal com solução salina, quando orientada por profissional de saúde, auxilia na remoção mecânica de secreções, alérgenos e mediadores inflamatórios. Essa prática pode ser especialmente útil em períodos de maior exposição a alérgenos ou durante quadros virais iniciais.

Além disso, o tratamento precoce de infecções das vias aéreas superiores reduz a probabilidade de evolução para comprometimento sinusal. Monitorar a duração e a intensidade dos sintomas respiratórios ajuda a identificar precocemente situações que exigem intervenção.

Compreender a sinusite envolve interpretar critérios clínicos, diferenciar quadros virais de bacterianos, decidir com responsabilidade sobre o uso de antibióticos e entender como processos inflamatórios impactam o organismo como um todo.

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