Refluxo: o que é, sintomas, causas e como tratar

Entenda o que é refluxo, quais são os sintomas, suas causas e as principais formas de tratamento e prevenção.

Refluxo: o que é, sintomas, causas e como tratar
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06.05.2026

Queimação no peito após as refeições é um sintoma clássico, mas o refluxo não se manifesta apenas dessa forma. Muitas pessoas procuram atendimento por sintomas aparentemente desconectados do sistema digestivo, como sensação de bolo na garganta, pigarro constante, rouquidão ao acordar ou tosse seca persistente. Em boa parte desses casos, o refluxo gastroesofágico está por trás do quadro.

Embora episódios isolados possam acontecer após exageros alimentares, quando os sintomas se tornam frequentes ou passam a interferir na qualidade de vida, é importante compreender o que está acontecendo no organismo. O refluxo envolve alterações no mecanismo de barreira entre estômago e esôfago e pode afetar não apenas o trato digestivo, mas também estruturas da garganta e das vias aéreas superiores.

Ao longo deste artigo, você entenderá o que é o refluxo, quais são seus sintomas mais comuns e menos conhecidos, por que ele acontece e como pode ser tratado.

Vamos juntos?

O que é refluxo gastroesofágico?

O refluxo gastroesofágico ocorre quando o conteúdo ácido do estômago retorna para o esôfago. Isso acontece porque o esfíncter esofágico inferior, estrutura muscular que funciona como uma válvula entre o esôfago e o estômago, não consegue impedir completamente esse retorno.

Pequenos episódios de refluxo podem ocorrer em qualquer pessoa, especialmente após refeições exageradas. No entanto, quando o contato do ácido com a mucosa esofágica se torna frequente e sintomático, falamos em Doença do Refluxo Gastroesofágico, conhecida como DRGE.

Além do esôfago, o conteúdo ácido pode atingir a região da laringe e da faringe, causando o chamado refluxo laringofaríngeo. É justamente nesse contexto que surgem sintomas menos óbvios.

Quais são os principais sintomas de refluxo?

Como o refluxo envolve o retorno do conteúdo ácido do estômago para o esôfago e, em alguns casos, até para a garganta, os sintomas variam de acordo com a região que está sendo irritada. Em algumas pessoas, o quadro é clássico e facilmente reconhecido. Em outras, as manifestações são mais sutis e acabam sendo atribuídas a problemas respiratórios ou de garganta.

Neste caso, os sintomas podem ser organizados em dois grupos: esofágicos e extraesofágicos.

Sintomas esofágicos clássicos

São os mais conhecidos e geralmente os primeiros a levar o paciente a buscar avaliação médica:

  • Queimação no peito, especialmente após refeições;

  • Regurgitação ácida/

  • Sensação de líquido amargo ou ácido voltando para a boca;

  • Desconforto na parte superior do abdome.

Esses sintomas costumam piorar após ingestão de alimentos gordurosos, refeições volumosas, consumo de álcool ou ao deitar logo depois de comer, já que a posição horizontal favorece o retorno do conteúdo gástrico.

Sintomas atípicos ou extra esofágicos

Quando o ácido ultrapassa o esôfago e atinge regiões mais altas, como a laringe e a faringe, o quadro muda de padrão. Nesse cenário, o paciente pode não apresentar azia evidente, o que dificulta a associação imediata com refluxo.

Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Sensação de bolo na garganta, conhecida como globus faríngeo;

  • Pigarro frequente, principalmente ao longo do dia;

  • Rouquidão, mais intensa ao acordar;

  • Tosse seca persistente;

  • Irritação ou dor na garganta sem sinais claros de infecção;

  • Mau hálito persistente.

A sensação de bolo na garganta ocorre porque a mucosa da laringe é bastante sensível ao contato com o ácido. Mesmo pequenas exposições repetidas podem causar inflamação local, levando à percepção de algo preso ou de pressão constante na região.

Esse conjunto de sintomas é frequentemente chamado de refluxo laringofaríngeo e pode ocorrer mesmo na ausência de queimação típica, o que explica por que muitos pacientes procuram inicialmente avaliação com otorrinolaringologista antes de considerar uma causa digestiva.

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Por que o refluxo pode afetar a garganta?

Como falamos acima, a mucosa do esôfago já não foi feita para suportar exposição frequente ao ácido gástrico. A mucosa da laringe é ainda mais sensível. Pequenas quantidades de conteúdo ácido que atingem essa região podem causar inflamação significativa.

Por isso, desconfortos na garganta podem estar relacionados ao refluxo, mesmo que o paciente não relate queimação clássica.

Refluxo pode causar dor no peito?

Sim, e essa dor pode gerar preocupação, pois muitas vezes se assemelha à dor cardíaca.

A dor relacionada ao refluxo geralmente aparece após refeições ou ao deitar, podendo melhorar com antiácidos. No entanto, qualquer dor torácica deve ser avaliada, especialmente em pessoas com fatores de risco cardiovascular.

A distinção entre dor de origem digestiva e cardíaca deve ser feita com base na história clínica e, quando necessário, exames complementares.

O que causa o refluxo?

O refluxo pode ocorrer por diversos fatores que interferem no funcionamento adequado do esfíncter esofágico inferior ou aumentam a pressão dentro do abdômen.

Entre os principais fatores estão:

  • Obesidade;

  • Hérnia de hiato;

  • Gravidez;

  • Refeições volumosas;

  • Consumo excessivo de gordura;

  • Ingestão frequente de álcool;

  • Tabagismo.

A obesidade merece atenção especial porque o aumento da pressão intra-abdominal facilita o retorno do conteúdo gástrico para o esôfago.

Além disso, alguns medicamentos podem relaxar o esfíncter esofágico inferior, contribuindo para o quadro.

Por que o refluxo piora à noite?

Quando a pessoa se deita logo após comer, a gravidade deixa de ajudar a manter o conteúdo gástrico no estômago. Isso facilita o retorno do ácido para o esôfago e, em alguns casos, para a laringe.

Além disso, durante o sono, a produção de saliva diminui, reduzindo a neutralização natural do ácido.

Por esse motivo, é recomendado evitar refeições nas duas a três horas que antecedem o sono e elevar a cabeceira da cama quando há sintomas noturnos frequentes.

Como é feito o diagnóstico de refluxo?

O diagnóstico do refluxo costuma ser clínico, baseado na descrição dos sintomas típicos. Quando há resposta ao tratamento inicial, muitas vezes não são necessários exames adicionais.

Entretanto, quando os sintomas persistem, são atípicos ou não melhoram com medidas iniciais, podem ser indicados exames como:

  • Endoscopia digestiva alta;

  • pHmetria esofágica;

  • Manometria.

Esses exames ajudam a avaliar lesões na mucosa, medir exposição ao ácido e investigar alterações motoras do esôfago.

Como tratar o refluxo?

O tratamento do refluxo parte de um princípio simples: reduzir a exposição do esôfago e da laringe ao ácido gástrico e, ao mesmo tempo, melhorar o funcionamento da barreira entre o estômago e o esôfago. Para isso, a abordagem costuma combinar mudanças no estilo de vida com medicamentos, quando necessários.

1. Mudanças no estilo de vida

As medidas comportamentais não são apenas complementares, mas frequentemente representam a base do tratamento. Neste caso, as principais estratégias são: 

  • Fracionar as refeições: comer em menor volume reduz a distensão gástrica e diminui a pressão sobre o esfíncter esofágico inferior.

  • Evitar deitar nas duas a três horas após comer: a posição horizontal favorece o retorno do conteúdo gástrico.

  • Reduzir alimentos gordurosos e muito condimentados: esses alimentos retardam o esvaziamento gástrico e podem relaxar o esfíncter esofágico.

  • Diminuir consumo de álcool e cafeína: ambos podem interferir no tônus do esfíncter e agravar sintomas.

  • Perder peso, quando indicado: o excesso de peso aumenta a pressão intra-abdominal, facilitando o refluxo.

  • Elevar a cabeceira da cama: especialmente útil para quem apresenta sintomas noturnos.

2. Tratamento medicamentoso

Quando os sintomas são frequentes, intensos ou persistentes, os medicamentos passam a fazer parte da estratégia terapêutica.

  • Inibidores de bomba de prótons: reduzem a produção de ácido gástrico, permitindo cicatrização da mucosa e controle dos sintomas.

  • Bloqueadores H2: podem ser utilizados em quadros leves ou como complemento.

  • Antiácidos: aliviam sintomas de forma pontual, mas não tratam a causa de base.

O uso deve ser orientado por profissional de saúde, principalmente quando se prolonga por semanas ou meses. A automedicação contínua pode mascarar sintomas importantes e atrasar a investigação de complicações.

3. Tratamento cirúrgico

Em casos refratários ao tratamento clínico ou quando há hérnia de hiato significativa associada, pode-se considerar intervenção cirúrgica. O objetivo é reforçar a barreira antirrefluxo, reduzindo a exposição do esôfago ao ácido.

Essa decisão é individualizada e baseada na avaliação clínica e nos exames complementares.

Refluxo tem cura?

A pergunta é comum, e a resposta depende do contexto.

Em muitos casos, o refluxo pode ser controlado, especialmente quando há adesão às mudanças de hábitos e tratamento adequado. Pacientes com fatores predominantemente comportamentais, como alimentação inadequada ou sobrepeso, podem apresentar melhora significativa ao corrigir esses aspectos.

Mas quando há componentes anatômicos, como hérnia de hiato, ou alterações persistentes no funcionamento do esfíncter esofágico inferior, o refluxo pode exigir acompanhamento contínuo.

Mais importante do que falar em “cura” é compreender que o objetivo do tratamento é controlar sintomas, melhorar a qualidade de vida e prevenir inflamação crônica da mucosa.

Com abordagem correta, a maioria dos pacientes consegue manter a doença sob controle e evitar progressão.

O refluxo faz parte da rotina de muita gente e, justamente por isso, costuma ser subestimado. No entanto, quando os sintomas começam a se repetir ou passam a interferir no dia a dia, vale olhar com mais atenção para o que o corpo está sinalizando.

E é esse tipo de compreensão que fortalece a prática clínica e também as decisões do próprio paciente. 

Se você quer aprofundar seu conhecimento e ter uma abordagem clínica baseada em evidências, continue acompanhando os conteúdos do blog da Afya

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