P-Fies Medicina vale a pena em 2026?

Analisamos se o P-FIES Medicina vale a pena em 2026. Conheça os benefícios, os riscos financeiros e o retorno sobre o investimento na carreira médica.

P-Fies Medicina vale a pena em 2026?
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05.02.2026

Escolher cursar Medicina nunca foi uma decisão simples. É um projeto de vida que envolve dedicação intensa e um investimento financeiro significativo. Em 2026, com mensalidades altas e vagas públicas limitadas, muitos estudantes se veem diante de uma pergunta inevitável: como financiar esse sonho de forma responsável?

Nesse cenário, o P-FIES aparece como uma alternativa possível, mas ainda pouco compreendida. Diferente do Fies tradicional, ele envolve bancos privados, juros variáveis e contratos que exigem leitura atenta. Ou seja, não é uma decisão para ser tomada no impulso.

Este conteúdo existe para isso: ajudar você a analisar o P-Fies e se essa opção faz sentido para você.

Vamos falar de benefícios, riscos, números e, principalmente, de planejamento. Afinal, entrar na faculdade é só o começo da jornada!

O que é o P-Fies e qual a diferença do Fies tradicional?

Quando o assunto é financiamento estudantil para Medicina, o Fies tradicional costuma ser o mais conhecido. Ele aparece com frequência nas buscas, nas conversas de cursinho e nas orientações gerais. O P-Fies, por outro lado, ainda gera dúvidas exatamente por funcionar de forma diferente.

Antes de decidir se o P-Fies vale a pena, vamos entender como ele funciona na prática e quais são as diferenças em relação ao Fies público.

Como funciona o Fies tradicional?

O Fies tradicional é um programa do governo federal, com regras padronizadas e condições mais previsíveis. De modo geral, ele oferece:

  • Juros zero;

  • Início do pagamento após a formatura, respeitando período de carência;

  • Critérios de renda familiar e nota no Enem;

  • Limite de vagas e de valor financiado.

Para muitos estudantes, é o cenário ideal. O problema é que, em Medicina, nem sempre há vagas suficientes, e muitos candidatos acabam ficando de fora mesmo tendo um bom desempenho.

Como funciona o P-Fies?

O P-Fies é uma modalidade de financiamento estudantil operada por instituições financeiras privadas, em parceria com o governo. É aqui que surgem as principais diferenças.

No P-Fies:

  • Os juros não são zerados;

  • As taxas variam conforme o banco;

  • As condições contratuais mudam de acordo com o perfil do aluno;

  • O risco financeiro é maior e precisa ser avaliado com cuidado.

Isso não torna o P-Fies automaticamente ruim. Ele apenas exige uma postura mais madura e consciente. É um modelo mais próximo do mercado financeiro do que de uma política pública de acesso.

Quais são os principais benefícios do P-Fies para Medicina?

Agora que você já entendeu as diferenças entre as formas de financiar o curso de Medicina, é hora de avançar para a pergunta prática: em quais situações o P-Fies pode, de fato, fazer sentido?

Para te ajudar, separamos os principais benefícios do P-Fies para quem quer cursar Medicina.

Maior acesso à graduação em Medicina

Na prática, o P-Fies amplia o acesso para um perfil muito específico e numeroso: estudantes de classe média que conseguem comprovar renda, têm bom desempenho acadêmico, mas não conseguem arcar com mensalidades integrais que facilmente ultrapassam dezenas de milhares de reais por semestre.

Esse grupo costuma ficar em um limbo:

  • Renda alta demais para o FIES tradicional;

  • Renda insuficiente para custear Medicina sem financiamento.

O P-FIES atua exatamente nesse espaço. Ele não elimina o custo do curso, mas transforma um valor inalcançável em algo parcelável e planejável, permitindo que o aluno ingresse na graduação e construa a carreira a partir dali.

Possibilidade de estudar com foco total na formação médica

A Medicina exige dedicação intensa. A carga horária elevada, as atividades práticas, o estudo contínuo e a pressão acadêmica tornam extremamente difícil conciliar o curso com trabalho suficiente para custear a mensalidade.

O P-Fies permite que o estudante:

  • Priorize o aprendizado e o desempenho acadêmico;

  • Evite jornadas de trabalho incompatíveis com o curso;

  • Reduza o risco de evasão por dificuldades financeiras.

Na prática, isso impacta diretamente a qualidade da formação. Um aluno que consegue estudar sem o estresse constante de “como pagar o próximo boleto” tem mais condições de aproveitar a graduação, se engajar em projetos e atividades extracurriculares que fazem diferença na carreira médica.

Organização financeira no curto e médio prazo

Outro benefício relevante é o fôlego financeiro durante os seis anos de graduação. Mesmo com juros, o P-Fies permite diluir o custo do curso ao longo do tempo, evitando desembolsos imediatos que poderiam comprometer completamente o orçamento familiar.

Para famílias organizadas, com renda estável e planejamento claro, isso cria previsibilidade no curto prazo, algo fundamental em um curso longo como Medicina.

O ponto-chave é entender que o P-Fies não elimina o custo, mas reorganiza quando e como ele será pago.

Tudo o que você precisa saber sobre a graduação em Medicina

Quais são os riscos financeiros do P-Fies em 2026?

Chegamos à parte que realmente separa uma decisão madura de uma decisão impulsiva. O P-Fies pode viabilizar a entrada no curso, mas cobra um preço financeiro que não pode ser ignorado.

Ignorar esses riscos é o principal erro cometido por quem se arrepende depois. Por isso, separamos os impactos financeiros que precisam entrar na decisão de qualquer estudante!

O impacto dos juros ao longo de seis anos

Quando se fala em P-Fies, um dos pontos mais sensíveis são os juros, justamente porque eles não são padronizados como no Fies tradicional. Em geral, as taxas praticadas pelos bancos ficam acima da inflação e variam conforme o perfil do aluno, o banco escolhido e o momento econômico.

Para entender o impacto, vale exemplificar!

Imagine um curso de Medicina com mensalidade média de R$ 10 mil . Ao longo de seis anos, o valor total do curso pode ultrapassar os R$ 700 mil. Ao optar pelo P-FIES, esse valor não fica “congelado”, ele passa a ser financiado com juros que, em muitos contratos, giram em torno de 0,8% a 1,3% ao mês.

Pode parecer pouco, mas no longo prazo não é.

Pressão financeira no início da carreira médica

Outro ponto que precisa ser analisado com realismo é o início da carreira médica. Existe a ideia de que, ao se formar, o médico automaticamente terá renda alta. Na prática, grande parte dos recém-formados ingressa na residência médica e complementa a renda com plantões. 

Se a parcela do financiamento for alta, ela pode limitar a escolha da residência, forçar jornadas excessivas de trabalho e atrasar projetos pessoais e profissionais.

Ou seja, o risco não é apenas financeiro, mas também emocional e profissional, afetando qualidade de vida e decisões estratégicas da carreira médica.


Dependência total das condições contratuais do banco

Diferente do FIES tradicional, o P-FIES depende integralmente do contrato firmado com a instituição financeira. Isso significa que detalhes aparentemente técnicos fazem enorme diferença no futuro.

Alguns pontos que fazem enorme diferença no valor final da dívida:

  • Taxa de juros mensal e anual e se ela é fixa ou variável;

  • Forma de capitalização dos juros;

  • Prazo de carência após a formatura;

  • Prazo total para quitação;

  • Condições de renegociação em caso de dificuldade financeira.

Como avaliar se o P-Fies cabe no seu projeto de vida médica?

Depois de entender como o P-Fies funciona, a decisão deixa de ser apenas financeira e passa a ser estratégica. Em Medicina, não basta conseguir entrar na faculdade. É preciso sustentar essa escolha durante seis anos de formação intensa e, principalmente, nos primeiros anos da vida profissional.

Por isso, a pergunta central não é “dá para fazer?”, mas “em quais condições isso continua fazendo sentido ao longo do tempo?”. Avaliar o P-Fies exige olhar para renda futura, estrutura familiar e alternativas possíveis, sempre com uma lógica de longo prazo.

Para te ajudar, separamos três dicas que ajudam a transformar essa decisão em algo consciente, e não impulsivo.

Faça simulações conservadoras de renda e despesas

O erro mais comum ao avaliar um financiamento é projetar o melhor cenário possível. Em Medicina, o mais seguro é fazer o oposto: trabalhar com cenários conservadores.

Isso significa considerar:

  • Renda média durante a residência médica, que costuma ser limitada;

  • Custos reais de vida na cidade onde você pretende estudar ou trabalhar;

  • Períodos em que a renda pode ser instável ou menor do que o esperado.

A partir disso, a pergunta prática é simples: a parcela do P-Fies caberia nesse cenário mais apertado?

Se a resposta for não, o financiamento pode se tornar um fator de pressão logo no início da carreira.

Envolva a família como parte da decisão

Na maioria dos casos, o P-Fies não é uma decisão individual. Mesmo quando o contrato está no nome do estudante, o impacto financeiro costuma atingir toda a família, seja por apoio direto, seja por garantias e planejamento conjunto.

Por isso, essa escolha precisa ser compartilhada com conversas claras sobre:

  • Até onde a família consegue apoiar financeiramente;

  • Quais riscos todos estão dispostos a assumir;

  • O que acontece se a renda esperada não se concretizar no início.

Essas conversas ajudam a evitar decisões baseadas apenas na urgência de “não perder a vaga”.

Compare o P-Fies com outras estratégias possíveis

Antes de assinar qualquer contrato, o P-Fies deve ser comparado com outras estratégias viáveis, mesmo que nenhuma delas pareça ideal à primeira vista.

Vale colocar na mesa alternativas como:

  • Bolsas institucionais ou descontos por desempenho acadêmico;

  • Combinação de apoio familiar parcial com financiamento menor;

  • Adiar o ingresso por um período para tentar outras formas de acesso.

Em alguns casos, esperar um pouco mais pode significar entrar com menos dívida e mais liberdade no futuro

Decidir como financiar a graduação em Medicina é uma escolha que vai muito além do ingresso na faculdade. Ela impacta a forma como o estudante vive o curso, inicia a carreira e constrói sua trajetória profissional. Por isso, informação clara e análise realista fazem toda a diferença nesse processo.

No blog da Afya, você encontra outros conteúdos que ajudam a entender não só o P-Fies, mas também as diferentes formas de ingresso, financiamento e formação médica, sempre com foco em escolhas conscientes e sustentáveis. Acesse!

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