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Nobel de Medicina 2025: entenda as descobertas e o impacto para a saúde mundial

Entenda o Nobel de Medicina 2025 e como as descobertas sobre FOXP3 e células T reguladoras podem mudar tratamentos de autoimunes e transplantes!

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30/12/2025

Nobel de Medicina 2025: entenda as descobertas e o impacto para a saúde mundial

O Nobel de Medicina de 2025 reconheceu pesquisas sobre o gene FOXP3 e as células T reguladoras, que explicam como o sistema imune evita atacar o próprio corpo. Essas descobertas abrem caminho para terapias mais precisas em doenças autoimunes, transplantes de órgãos e até em alguns tipos de câncer.

Ao contrário de muitas premiações (como Grammy, Oscar e outras), o prêmio Nobel é pouco mencionado nas rodas de conversa. Quando é citado, muitas vezes, isso é feito em tom de piada: “nossa, dá um Nobel para ele!”. Não é mesmo?

Mas e se nós disséssemos que observar os ganhadores do Nobel é uma forma de entender tendências? Isso é uma verdade em qualquer área do prêmio, mas que é especialmente notada no âmbito da Medicina.

Os ganhadores do prêmio costumam ditar o que está vindo por aí de revolução na área médica e, consequentemente, na saúde de todos nós. Sendo assim, continue a leitura para entender mais sobre o que aconteceu no Nobel de Medicina 2025.

O que é o prêmio Nobel?

O objetivo do prêmio Nobel é premiar (ou, mais adequadamente, laurear) pessoas que fizeram a diferença na humanidade naquele ano. A premiação é dividida em seis categorias:

  • Química;
  • Literatura;
  • Paz;
  • Física;
  • Economia;
  • Medicina.

Nobel de Medicina 2025: quem são os laureados?

Agora, vamos ao que interessa: os premiados na edição 2025 do Nobel em Medicina. Aqui, o prêmio foi dividido entre três cientistas que colaboraram para uma mesma descoberta, algo bem comum em prêmios do tipo.

Confira! 

Mary E. Brunkow

Mary E. Brunkow é uma bióloga molecular norte-americana cujo trabalho foi fundamental para desvendar o papel do gene FOXP3 no sistema imunológico. Em 2001, ela identificou que mutações nesse gene eram responsáveis por desencadear doenças autoimunes graves em camundongos, uma descoberta que logo se mostrou igualmente relevante para seres humanos. 

Fred Ramsdell

Fred Ramsdell, imunologista norte-americano, foi colaborador direto de Brunkow nas pesquisas sobre o gene FOXP3. Ele ajudou a conectar as mutações desse gene aos quadros clínicos de autoimunidade extrema, incluindo a síndrome humana conhecida como IPEX, que afeta múltiplos órgãos e aparece logo no início da vida. 

Shimon Sakaguchi

Shimon Sakaguchi, imunologista japonês, foi o primeiro a descobrir, em 1995, as células T reguladoras (Tregs), um tipo especial de célula do sistema imune que age como “freio”, impedindo respostas exageradas ou equivocadas. Só anos depois, com as descobertas de Brunkow e Ramsdell, ficou claro que o gene FOXP3 era o “interruptor” que determinava o desenvolvimento dessas células reguladoras. 

Pelo que eles foram premiados?

Não entendeu nada que falamos no tópico anterior? Calma. Agora, vamos começar a colocar tudo em perspectiva.

Eles foram premiados por explicar como o sistema imunológico evita atacar o próprio corpo. Eles revelaram os mecanismos da chamada tolerância imune periférica, um conceito que até então era pouco explorado por aí. 

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O que significa “tolerância imune periférica”?

Esse é o nome dado ao conjunto de mecanismos que impedem o sistema imunológico de agir de forma exagerada ou de atacar células saudáveis fora dos órgãos onde as células imunes são inicialmente formadas, como a medula óssea e o timo.

Em outras palavras, ela funciona como uma segunda camada de segurança. Por conta disso, mesmo que algumas células potencialmente perigosas escapem do processo de “seleção” no timo, a tolerância periférica garante que elas sejam controladas. 

Sem esse equilíbrio, o corpo poderia desenvolver doenças autoimunes graves.

O papel das “células T reguladoras” (Tregs)

Elas evitam respostas excessivas, controlam inflamações e impedem que células imunes ataquem tecidos saudáveis. Quando elas falham ou diminuem em quantidade, aumentam as chances de surgirem doenças autoimunes, alergias severas ou inflamações crônicas.

O gene FOXP3 e a descoberta da falha imunológica

É aqui que está o segredo! Se existe essa imunidade periférica, por que algumas pessoas ainda desenvolvem doenças autoimunes? Nesse contexto, o gene FOXP3 funciona como um “interruptor” que determina o desenvolvimento adequado das células T reguladoras. 

Brunkow e Ramsdell descobriram que mutações nesse gene levam à ausência ou mau funcionamento das Tregs, resultando em doenças autoimunes gravíssimas. Ou seja: aparentemente, tudo se resume a um problema em um gene específico, que “desliga” a imunidade periférica.

Como essas descobertas mudam o entendimento do sistema imunológico?

Antes dessas pesquisas, acreditava-se que a tolerância imunológica dependia quase exclusivamente do timo, que elimina células “defeituosas”. O trabalho dos laureados mostrou que existe uma segunda camada de controle fora desse órgão, que é muito mais complexa e dinâmica do que se imaginava. E, agora, sabe-se mais sobre a origem do problema das doenças autoimunes.

Quais são os impactos potenciais das descobertas?

As descobertas abrem caminho para terapias mais inteligentes, capazes de modular o sistema imunológico sem simplesmente “desligá-lo” por completo. Vamos entender mais sobre o assunto?

Novas perspectivas para doenças autoimunes

Compreender o papel das Tregs e do FOXP3 permite desenvolver tratamentos que restauram o equilíbrio imunológico e não apenas combatem os sintomas. 

Na prática, isso pode levar a terapias que aumentam a quantidade ou a atividade das Tregs, reduzindo danos a órgãos afetados por doenças como lúpus, esclerose múltipla, diabetes tipo 1, artrite reumatoide, psoríase e outras condições autoimunes.

Aplicações em transplantes de órgãos e tecidos

E não é só isso. No campo dos transplantes, controlar a tolerância imunológica periférica é uma oportunidade enorme. 

Se for possível “treinar” o sistema imunológico a aceitar um órgão doado sem destruí-lo, isso pode reduzir o uso de imunossupressores (que trazem alguns efeitos colaterais) e melhorar a questão da rejeição nos transplantes.

Implicações para tratamentos de câncer e modulação imune

Embora as Tregs sejam essenciais para evitar autoimunidade, em alguns casos elas podem também proteger tumores, impedindo que o sistema imune os ataque adequadamente. Ao entender como essas células funcionam, pesquisadores podem criar tratamentos que bloqueiem esse mecanismo ou que reforcem os Tregs quando o problema é inflamação excessiva.  

Assim, os ajustes dependerão das doenças em questão e das necessidades de cada paciente.

FAQ – Perguntas Frequentes

1. A descoberta vale apenas para doenças autoimunes?

Não. A tolerância imunológica periférica também tem implicações para transplantes, câncer e imunoterapias, ou seja, qualquer situação em que controlar a resposta imune seja importante.

2. Essas terapias já estão disponíveis para o público?

Ainda não. Muitos tratamentos baseados nessas descobertas estão em fase de pesquisa ou ensaios clínicos.

3. O que torna a “tolerância imune periférica” diferente da tolerância central (timo)?

A tolerância central elimina células imunes potencialmente perigosas no timo; já a tolerância periférica usa células reguladoras (Tregs) fora do timo para controlar respostas imunes já maduras.

4. Doenças comuns como diabetes e artrite podem se beneficiar dessas descobertas?

Sim, muitas doenças autoimunes, como diabetes tipo 1, artrite reumatoide, esclerose múltipla, entre outras, podem se tornar alvos de terapias baseadas no controle das Tregs.

5. Por que demorou tanto para a ciência reconhecer esse papel das Tregs e da tolerância periférica?

Porque, até os anos 1990, a comunidade científica acreditava que a tolerância imunológica vinha apenas da eliminação de células “problemáticas” no timo. Assim, a ideia de células reguladoras que controlam a resposta imune vinha sendo subestimada por décadas.

É claro que essas questões ainda vão demorar um pouco para fazerem parte da rotina médica para todos nós, mas uma coisa é fato: o prêmio Nobel de Medicina 2025 trouxe novidades empolgantes para quem convive com doenças que, até o momento, não têm cura e contam com poucos tratamentos.

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