HPV: sintomas, prevenção e a importância da vacina

Saiba o que é o HPV, como identificar sintomas e a eficácia da vacinação. Entenda os riscos e como a prevenção protege a saúde a longo prazo.

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07.04.2026

Falar sobre HPV ainda desperta dúvidas, receios e, muitas vezes, silêncio. Mas existe um ponto que muda essa conversa: o HPV é a Infecção Sexualmente Transmissível (IST) mais comum no mundo e existem mais de 200 tipos do vírus. Alguns causam verrugas genitais e outros se relacionam a tumores malignos, como câncer do colo do útero, ânus, pênis, boca e garganta. Por isso, prevenção e informação devem caminhar juntas.

Preparamos este guia para esclarecer o que é o HPV, quando suspeitar de sintomas, como prevenir e por que a vacina é uma das medidas mais eficazes para proteger a saúde no longo prazo. Também vamos desmistificar uma ideia importante: HPV não é um tema só de mulheres. Ele diz respeito a todas as pessoas com vida sexual, em diferentes fases da vida.

O que é HPV e por que é tão comum?

HPV é a sigla para Papilomavírus Humano, um vírus que afeta pele e mucosas. Um dado da Fiocruz ajuda a dimensionar a frequência: estima-se que o risco de uma pessoa ter contato com o HPV ao longo da vida chegue a 80%.

Apesar disso, a maioria das pessoas não desenvolve sintomas. Em muitos casos, o organismo elimina o vírus sem necessidade de tratamento específico. No Brasil, o Ministério da Saúde descreve que a maior parte das infecções tem resolução espontânea em até 24 meses. E a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) também reforça que, em geral, o sistema imunológico elimina o HPV em um ou dois anos.

Então, onde está o problema? Em uma parcela menor de pessoas, alguns tipos de HPV podem persistir e, ao longo dos anos, favorecer o aparecimento de lesões pré-cancerosas e câncer. É por isso que o cuidado com HPV não se resume a “tratar verrugas”, mas envolve prevenção primária (vacina) e prevenção secundária (rastreamento e acompanhamento).

Como o HPV é transmitido e por que isso não deve virar culpa?

O HPV é transmitido principalmente por contato pele a pele durante relações sexuais (vaginal, anal ou oral), e a transmissão pode acontecer mesmo sem penetração. Isso ajuda a entender por que, muitas vezes, não é possível apontar quando a infecção ocorreu.

Outro ponto importante é o tempo de manifestação da infecção. As primeiras manifestações podem aparecer entre 2 e 8 meses, mas o vírus também pode permanecer latente por meses, anos ou até décadas, sem sinais visíveis. Por isso, a detecção do HPV em certo momento da vida não permite determinar quando ocorreu o contato com o vírus. Isso acontece porque a infecção pode se manifestar muito tempo depois da exposição inicial.

Em consulta, esse acolhimento importa, pois alguns “fantasmas” costumam acompanhar o diagnóstico, como promiscuidade, infidelidade e o medo de câncer. Por isso, é imprescindível que o profissional ajude a desfazer essa lógica de culpa.

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HPV tem sintomas? O que pode e o que não pode aparecer

A maioria das infecções não causa sintomas. Ainda assim, algumas manifestações podem surgir.

As lesões mais conhecidas são as verrugas anogenitais, também chamadas de condilomas. Elas podem ser únicas ou múltiplas, achatadas ou elevadas, e em geral são assintomáticas, mas podem causar coceira. Em alguns casos, podem doer, sangrar e causar desconforto.

Também existem lesões subclínicas, que não são visíveis a olho nu e podem estar associadas tanto a tipos de baixo risco quanto de alto risco para câncer. Elas podem acometer vulva, vagina, colo do útero, região perianal, ânus, pênis, bolsa escrotal e região pubiana. Menos frequentemente, podem aparecer em mucosa nasal, oral e laríngea.

Alguns sinais merecem avaliação profissional, especialmente porque muitas condições de pele e mucosa podem se parecer entre si:

  • Verrugas ou “caroços” na região genital ou anal, mesmo sem dor;
  • Coceira persistente, irritação ou desconforto local sem causa evidente;
  • Lesões que sangram com facilidade ou reaparecem após tratamento;
  • Alterações na boca ou garganta que persistem, principalmente em pessoas com outros fatores de risco.

HPV não é só um assunto de mulher: riscos em homens e a relação com câncer

Um erro comum é reduzir HPV ao colo do útero. Sim, o HPV está fortemente associado ao câncer do colo uterino, mas não apenas. Há também a relação com câncer de ânus, pênis, boca e garganta.

Isso tem dois efeitos práticos:

  1. Homens também podem ter lesões clínicas e subclínicas e precisam de orientação e, quando indicado, avaliação;
  2. Prevenir HPV é uma medida de saúde coletiva, e não um cuidado “individual” restrito a um gênero.

Diagnóstico e acompanhamento

Quando existe lesão visível, o diagnóstico pode ser clínico. Também podem ser usadas técnicas de magnificação, como colposcopia, para avaliação de lesões subclínicas.

Um ponto que costuma surpreender é este: não faz sentido sair “procurando HPV” em toda pessoa, porque a presença do vírus não significa doença e não existe tratamento específico para eliminar o HPV. O foco deve ser detectar precocemente lesões precursoras e câncer inicial assintomático, e não apenas ter o diagnóstico do HPV.

Testes moleculares têm utilização mais restrita e, em rastreamento, recomenda-se considerar seu uso a partir dos 30 anos, enquanto antes dos 30 o preventivo (citologia) segue como base.

Já para prevenção do câncer do colo do útero, há uma orientação prática bem conhecida: toda mulher, a partir dos 25 anos, deve realizar o exame citopatológico. Depois de dois exames negativos com intervalo anual, o exame passa a ser colhido a cada três anos.

Prevenção na prática: vacina, preservativo e check-up

Quando falamos de HPV, a prevenção funciona melhor em camadas, isto é, uma medida ajuda a outra.

Vacina contra HPV

A vacinação é a forma mais eficaz de prevenir a infecção, e é oferecida gratuitamente pelo nosso Sistema Único de Saúde (SUS). A melhor maneira de prevenir a infecção e suas complicações é a vacinação, de preferência antes do início da vida sexual, para garantir proteção antes do contato com o vírus.

No Brasil, a indicação inclui:

  • Meninas e meninos de 9 a 14 anos;
  • Mulheres e homens que vivem com HIV, transplantados ou pacientes oncológicos, na faixa etária de 9 a 45 anos;
  • Usuários de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e pessoas vivendo com o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), com orientação de acesso em salas de vacina públicas mediante comprovação de uso ou tratamento.

A vacina não protege contra todos os tipos de HPV, mas protege contra os mais frequentes, e evidências de países com vacinação em larga escala mostram redução de condilomas e de lesões precursoras.

Se você quer se aprofundar especificamente em vacinação, vale ler também nosso conteúdo sobre o tema: Vacina contra o HPV: tudo o que você precisa saber.

Preservativo ajuda, mas não é proteção total

O preservativo reduz o risco de contágio, mas não impede totalmente a infecção, porque pode haver lesões em áreas não cobertas. Além disso, a proteção depende do uso durante toda a relação sexual.

O preservativo interno (camisinha feminina) oferece cobertura mais ampla, embora ainda não seja tão disseminado.

Check-up e Papanicolau

Como vimos, a vacina é a prevenção primária, e o rastreamento é a prevenção secundária, que salva vidas porque identifica alterações antes de virarem câncer. O Papanicolau (ou colpocitologia oncótica) é um exame preventivo para identificar lesões precursoras do câncer do colo do útero, com detecção de células anormais que podem ser tratadas.

E se aparecer verruga ou se eu já tive HPV?

Primeiro, respire. HPV é frequente, e na maior parte das pessoas não se transforma em doença. Quando há verrugas, o tratamento costuma consistir na destruição das lesões, mas as lesões podem desaparecer, permanecer ou aumentar, e podem reaparecer porque tratar a verruga não elimina o vírus.

O Ministério da Saúde ressalta que o HPV exige avaliação profissional para definir o melhor tratamento, considerando extensão, quantidade e localização das lesões, além de riscos e efeitos adversos. Também orienta que parcerias sexuais sejam aconselhadas e examinadas, porque é possível que a infecção tenha ocorrido em alguém sem sinais ou sintomas.

Alguns cuidados práticos ajudam no dia a dia:

  • Procure avaliação em serviço de saúde se notar lesões, mesmo que pequenas;
  • Evite autodiagnóstico e tratamentos por conta própria sem orientação;
  • Mantenha o rastreamento em dia, especialmente a partir das idades recomendadas;
  • Converse com seu/sua parceiro(a) com foco em cuidado, e não em culpa.

O papel do médico e da equipe de saúde

HPV é um bom exemplo de como a saúde pública funciona quando existe vínculo. Vacina e rastreamento dependem de informação acessível, combate à desinformação e uma conversa sem julgamento. Isso inclui lembrar que o HPV pode ser transmitido mesmo em relacionamentos monogâmicos e que qualquer pessoa pode ser infectada, independentemente de orientação sexual.

Na formação médica, esse olhar é muito importante, pois é necessário orientar famílias e adolescentes sobre vacinação, reforçar check-ups regulares, acolher quem chega com medo e conduzir um cuidado baseado em evidências.

Se você quer conhecer mais sobre a Afya e nosso compromisso com educação médica e saúde baseada em ciência, este é um bom ponto de partida. Para conferir mais informações sobre a nossa Faculdade de Medicina, acesse: Faça Medicina | Afya.

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