Gastrite: o que é, sintomas, causas e como tratar

Entenda o que é gastrite, principais sintomas, causas como H. pylori e anti-inflamatórios, quando procurar médico gastro e como tratar corretamente.

Gastrite: o que é, sintomas, causas e como tratar
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06.05.2026

Dor na parte superior do abdômen, queimação após as refeições ou sensação constante de estômago irritado são queixas frequentes na prática clínica. Muitas vezes, esses sintomas são rapidamente atribuídos à gastrite, mas o termo costuma ser usado de forma ampla no cotidiano, nem sempre correspondendo ao diagnóstico médico preciso.

A gastrite é uma condição que envolve inflamação da mucosa do estômago e pode ter causas diversas, desde infecção bacteriana até uso de medicamentos ou hábitos alimentares inadequados. Em alguns casos, é leve e transitória. Em outros, pode se tornar crônica e exigir acompanhamento com médico gastroenterologista, especialmente quando há risco de complicações.

Neste artigo, explicamos o que é gastrite, quais são seus sintomas, como diferenciá-la de condições como o refluxo gastroesofágico e quais são as formas de tratamento.

Vamos juntos?

O que é gastrite?

Gastrite é a inflamação da mucosa gástrica, que é o revestimento interno do estômago. Essa mucosa tem a função de proteger o órgão contra o próprio ácido gástrico, que é essencial para a digestão dos alimentos.

O estômago produz ácido clorídrico e enzimas digestivas diariamente. Em condições normais, há equilíbrio entre os fatores de agressão, como o ácido, e os fatores de proteção, como o muco e o bicarbonato que revestem a mucosa. Quando esse equilíbrio é rompido, a parede do estômago pode se tornar inflamada.

Essa inflamação pode ser:

  • Aguda, quando surge de forma súbita e geralmente está associada a fatores irritativos recentes;

  • Crônica, quando persiste ao longo do tempo, muitas vezes associada à infecção por Helicobacter pylori.

Quais são os sintomas de gastrite?

Os sintomas variam de intensidade e nem sempre são específicos. Entre os mais comuns, temos: 

  • Dor ou queimação na região superior do abdômen;

  • Sensação de estufamento após refeições;

  • Náuseas;

  • Vômitos ocasionais;

  • Sensação de digestão lenta;

Alguns pacientes relatam piora dos sintomas em jejum prolongado, enquanto outros sentem desconforto logo após comer.

É importante observar que gastrite não é sinônimo de azia constante. Quando o sintoma predominante é queimação retroesternal, especialmente com regurgitação, pode estar mais relacionado ao refluxo do que à inflamação gástrica propriamente dita.

Quais são as principais causas da gastrite?

A inflamação da mucosa gástrica pode ser desencadeada por diferentes fatores, como: 

Helicobacter pylori

Essa bactéria coloniza o estômago e é uma das principais causas de gastrite crônica. Sua presença pode permanecer assintomática por anos, mas em alguns casos provoca inflamação persistente.

Uso de anti-inflamatórios

Medicamentos anti-inflamatórios não esteróides reduzem a produção de prostaglandinas, substâncias que ajudam a proteger a mucosa gástrica. O uso frequente pode predispor à gastrite e até úlceras.

Álcool

O consumo excessivo de bebidas alcoólicas irrita diretamente o revestimento do estômago.

Estresse fisiológico intenso

Situações como cirurgias, traumas ou doenças graves podem desencadear gastrite aguda.

Além disso, hábitos alimentares irregulares e refeições muito volumosas podem agravar sintomas em pessoas predispostas.

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Como é feito o diagnóstico da gastrite?

O diagnóstico pode começar com avaliação clínica. No entanto, quando os sintomas são persistentes ou há sinais de alerta, a endoscopia digestiva alta é indicada.

Durante o exame, o profissional visualiza a mucosa do estômago e pode coletar material para investigar a presença de Helicobacter pylori. Esse exame também permite descartar outras condições, como úlceras ou alterações estruturais.

Como tratar a gastrite?

O tratamento da gastrite depende da causa identificada e da intensidade dos sintomas. De forma geral, envolve três pilares: controle da acidez, eliminação do fator desencadeante e proteção da mucosa gástrica.

1. Redução da produção de ácido

Os inibidores de bomba de prótons são os medicamentos mais utilizados no tratamento da gastrite. Eles reduzem significativamente a produção de ácido gástrico, permitindo que a mucosa inflamada cicatrize.

O tempo de uso varia conforme o caso, mas geralmente é recomendado por algumas semanas. Em gastrite aguda leve, o tratamento pode ser curto. Já em casos crônicos, pode ser necessário acompanhamento mais prolongado.

É importante que o uso seja orientado por profissional de saúde, pois a utilização indiscriminada pode mascarar sintomas importantes.

2. Tratamento da Helicobacter pylori

Quando a bactéria está presente, o tratamento envolve combinação de antibióticos associados a medicamentos redutores de ácido.

A erradicação é fundamental não apenas para aliviar sintomas, mas também para reduzir risco de complicações futuras, como úlcera e alterações celulares da mucosa gástrica.

Após o tratamento, pode ser necessário exame de controle para confirmar a eliminação da bactéria.

3. Suspensão de medicamentos irritativos

Quando a gastrite está relacionada ao uso de anti-inflamatórios, é essencial reavaliar a necessidade da medicação. Em alguns casos, pode-se substituir por alternativas menos agressivas ou associar protetores gástricos.

Essa decisão deve ser tomada em conjunto com o profissional que acompanha o tratamento de base.

4. Ajustes na alimentação

A alimentação desempenha papel importante no controle dos sintomas, embora não seja a causa isolada da gastrite na maioria dos casos.

Algumas medidas que podem ajudar nos sintomas: 

  • Fracionar refeições ao longo do dia;

  • Evitar longos períodos em jejum;

  • Reduzir alimentos muito gordurosos;

  • Moderar consumo de café e bebidas alcoólicas;

  • Evitar exageros alimentares.

5. Manejo do estresse

Embora o estresse emocional não seja causa direta de gastrite, ele pode agravar sintomas digestivos, alterando a percepção de dor.

Técnicas de relaxamento, sono adequado e organização da rotina podem contribuir para melhora global dos sintomas.

Gastrite pode evoluir para complicações?

Quando não tratada adequadamente, especialmente nos casos associados à Helicobacter pylori, a gastrite pode evoluir para úlcera gástrica.

Além disso, a inflamação crônica prolongada pode provocar alterações estruturais da mucosa que exigem acompanhamento com médico. Por isso, sintomas persistentes não devem ser ignorados.

Quando procurar um médico gastroenterologista?

Embora episódios leves de desconforto gástrico possam melhorar com ajustes alimentares e tratamento inicial, existem situações em que a avaliação com médico se torna indispensável. O ponto central é a persistência, intensidade e impacto dos sintomas na rotina.

Por isso, é recomendada investigação especializada quando houver:

  • Dor persistente ou progressiva na parte superior do abdômen, especialmente se não houver melhora após algumas semanas de tratamento ou se a dor acordar o paciente à noite;

  • Vômitos frequentes ou recorrentes, principalmente quando impedem alimentação adequada ou vêm acompanhados de mal-estar significativo;

  • Perda de peso involuntária, que pode indicar comprometimento nutricional ou condição de base que precisa ser investigada;

  • Anemia sem causa aparente, já que inflamações crônicas da mucosa gástrica podem interferir na absorção de nutrientes ou estar associadas a sangramentos discretos;

  • Presença de sangue no vômito ou fezes escurecidas, sinais que podem indicar sangramento digestivo e exigem avaliação imediata.

Além desses sinais, pessoas com histórico familiar de câncer gástrico ou que utilizam anti-inflamatórios de forma contínua também devem considerar acompanhamento regular.

Para quem chegou até aqui, já deu para entender que a gastrite é comum, mas merece atenção quando os sintomas se tornam recorrentes. O acompanhamento adequado, especialmente com médico especialista, permite identificar causas específicas, tratar de forma direcionada e prevenir complicações.

Então, se você quer aprofundar seu conhecimento e ter uma abordagem clínica baseada em evidências, continue acompanhando os conteúdos do blog da Afya

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