Câncer de próstata é hereditário? Saiba todas as informações sobre a doença
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O câncer de próstata pode ter origem hereditária, mas isso acontece apenas em uma parte dos casos. Ter familiares afetados aumenta o risco, porém hábitos de vida, idade e ambiente também influenciam muito. Para quem tem histórico familiar, vale iniciar o rastreamento mais cedo, avaliar testes genéticos e adotar medidas de prevenção para reduzir as chances de desenvolver a doença.
De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer, o INCA, mais de 15 mil brasileiros perderam a vida para o câncer de próstata em 2021. Essa estatística é dura mas, somada à quantidade de pacientes afetados (com cerca de 70 mil novos casos anuais), nos acende um alerta no que diz respeito à prevenção dessa doença.
Nesse contexto, um ponto muito importante a ser levantado é a questão de se o câncer de próstata é hereditário ou não. Afinal, as pessoas com casos da doença na família devem prestar atenção extra ao surgimento desse câncer?
A resposta resumida é sim. Mas, por que? Quais são as causas do câncer? Apenas a genética é garantia de que alguém desenvolverá um tumor? O que fazer nesses casos? Continue a leitura para ter todas as respostas sobre esse tema.
O que é o câncer de próstata?
Vamos começar entendendo o que é o câncer de próstata. De modo geral, essa doença acontece quando há uma mutação nas células da região, o que ocasiona na formação de um tumor.
Essas células podem ter diferentes características, o que ajuda a definir o grau da doença, e podem ficar restritas à próstata ou se espalharem pelo corpo (no que chamamos de metástase).
Inicialmente, o câncer de próstata não traz muitos sintomas. Quando eles aparecem, estão normalmente associados à micção, ou seja, o ato de urinar. O xixi pode sair em jatos mais fracos, devido à compressão da uretra pelo tumor, ou o paciente pode sentir ardência nesse momento.
Lembrando que esses sintomas também podem estar associados a outras doenças, como é o caso da cistite (a famosa infecção urinária) ou outras alterações prostáticas, como a hiperplasia benigna.
O que é hereditariedade?
Hereditariedade é o nome dado à capacidade de algo ser passado de pai para filho ou, ainda, de uma geração para outra (como de avô para neto, de tio para sobrinho, etc). Em outras palavras, isso se define pela genética, ou seja, a carga de genes que ganhamos de nossos parentes no momento da fecundação.
O câncer de próstata é hereditário?
Sim e não. Mas, espera… como assim? Na verdade, o câncer de próstata pode ser hereditário, mas isso vale apenas para uma parte dos casos.
A maior parte dos tumores é esporádica, surgindo por combinações de idade, estilo de vida, ambiente e mutações que acontecem ao longo da vida.
Porém, existe uma parcela importante, estimada entre 5% e 10%, em que alterações genéticas aumentam o risco de desenvolver a doença. São os casos chamados de câncer de próstata hereditário ou “de predisposição genética”.
Homens com pai, irmão ou tio diagnosticados, principalmente antes dos 60 anos, podem ter risco de duas a três vezes maior de desenvolver o tumor. Quando há vários familiares afetados, esse risco pode aumentar ainda mais. Por isso, vale a pena ficar de olho.


Só a genética importa ou o ambiente também?
Como você viu, nem tudo envolve os genes. Nem sempre a genética é o único fator envolvido no surgimento de uma doença. No caso das neoplasias, muitas vezes, a associação de fatores ambientais também é importante no contexto.
Para que você possa entender melhor, imagine que você nasça com um gene para um tipo de câncer, como é o caso da neoplasia maligna de próstata. De forma alguma isso é uma sentença de que você desenvolverá a doença algum dia.
Se você levar uma vida sem fatores de risco, é possível que esse gene seja “ativado” em algum momento. Mas os riscos são menores! Uma vida saudável, sem vícios e sem abusos em geral pode fazer com que o gene fique “adormecido” até o fim de sua vida.
No caso do câncer de próstata, os fatores ambientais associados à ativação gênica e ao desenvolvimento espontâneo da doença são:
- tabagismo;
- obesidade e sobrepeso;
- sedentarismo;
- alimentação rica em gorduras animais;
- consumo excessivo de álcool;
- exposição a químicos;
- envelhecimento.
Por isso, foque naquilo que é possível evitar, seja para si mesmo ou para a orientação dos seus pacientes.
Tenho um caso de câncer de próstata na família. O que fazer?
Tem algum parente que já teve esse câncer? Está estudando Medicina ou tem vontade de fazer esse curso? Então, vem com a gente! Vamos explicar o que pode ser feito nesses casos.
Converse com um urologista sobre rastreamento precoce
Homens com histórico familiar devem iniciar o rastreamento a partir dos 40 aos 45 anos, ou 10 anos antes do caso mais jovem da família. Isso inclui exames de rotina como:
- PSA;
- toque retal (que não é recomendado para todos os homens, de acordo com as novas diretrizes) e outros.
Avalie a necessidade de teste genético
Os testes geralmente são indicados para homens que têm:
- histórico familiar forte de câncer de próstata, mama, ovário, colorretal ou pâncreas;
- parentes com mutações já identificadas (BRCA, Lynch, etc.);
- diagnóstico de câncer de próstata agressivo, metastático ou precoce.
O exame é simples: feito por sangue ou saliva. Nada invasivo, não é doloroso e pode trazer muitas respostas importantes para alguns casos.
Adote medidas de prevenção primária
Mesmo com predisposição genética, é possível reduzir riscos:
- manter peso saudável;
- praticar atividade física regular;
- evitar tabagismo;
- reduzir álcool;
- priorizar alimentação rica em vegetais e pobre em gordura animal.
Como você viu, ter o gene não é garantia de que ele será ativado. Nada disso! Na verdade, você pode lutar contra isso e evitar a doença.
Mantenha o acompanhamento contínuo
Se houver mutação genética identificada, o médico pode recomendar:
- exames mais frequentes;
- investigação de outros tumores associados (dependendo do gene alterado).
Siga as orientações com carinho e não tenha medo de “procurar doença”. O diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença na hora de enfrentar esse tipo de problema.
Não entre em pânico
Por fim, tenha em mente que ter uma predisposição não significa que a doença vai ocorrer. Na verdade, isso significa apenas que você deve cuidar da saúde com mais atenção e seguir um plano de rastreamento adequado.
FAQ – Perguntas Frequentes
1. Todos os homens com casos na família vão desenvolver câncer de próstata?
Não. Significa apenas que o risco é maior, mas estilo de vida, idade e outros fatores ambientais também contam muito.
2. Testes genéticos são obrigatórios para quem tem histórico familiar?
Não. Eles são indicados apenas quando o histórico sugere risco aumentado, como vários parentes acometidos ou diagnósticos precoces.
3. É possível prevenir totalmente o câncer de próstata?
Não. Mas reduzir fatores ambientais e manter o rastreamento regular diminui muito o risco de evolução grave.
4. Homens jovens precisam se preocupar com risco hereditário?
Sim, principalmente se tiverem parentes diagnosticados antes dos 55 anos.
5. O PSA sozinho é suficiente para rastrear câncer hereditário?
Não. Em casos de risco elevado, a combinação de PSA, toque retal, ressonância e acompanhamento especializado é o mais indicado.
Como você pôde ver, o câncer de próstata é hereditário… mas não só isso. Pessoas com predisposição genética, mas bons hábitos de saúde, podem não desenvolver a doença. Ao mesmo tempo, indivíduos sem casos familiares e hábitos inadequados podem desenvolvê-la. Então, prevenção é a chave nesses casos!
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